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sábado, 25 de novembro de 2017

A tragédia das cheias de 1967

Faz esta noite 50 anos (Novembro de 1967), na noite de 25 para 26 abateu-se sobre a região de Lisboa uma tempestade de chuva torrencial. Em alguns locais do distrito, a água chegou a concentrar-se num volume de 170 litros por metro quadrado, e na estação meteorológica da Gago Coutinho, em Lisboa, foram registados 115,6 mm de precipitação num período de apenas 24 horas (cerca de 22% da média anual). O ano até tinha sido relativamente seco e ninguém esperava que a chuva que começou a cair com maior intensidade ao princípio daquela noite fria desembocasse numa tragédia apenas comparável ao Terramoto de 1755. A chuva que caiu sem parar e intensamente durante algumas horas teve origem numa depressão que percorreu todo o Vale do Tejo, afetando tragicamente os concelhos de Loures e de Vila Franca de Xira, mas também Odivelas, Oeiras, Cascais, Lisboa, Arruda ou Alenquer. Milhares de pessoas ficaram desalojadas, inúmeras habitações ficaram destruídas e, diz-se, mais de 700 pessoas terão perdido a vida. Só a povoação de Quintas, próximo de Castanheira do Ribatejo, perdeu 100 dos seus 156 habitantes. Os dados oficiais apontaram para mais de quatrocentas vítimas mortais, mas certamente que o número de mortos foi mais elevado, porque a censura da ditadura de Salazar não deixou passar a verdade e fez com que os jornais parassem de contar os mortos quando a contabilidade passou as primeiras centenas. O que essa noite inequivocamente mostrou foram as condições miseráveis em que viviam grande parte dos portugueses que haviam migrado do interior para a região de Lisboa em procura de melhores condições de vida. Com o êxodo rural do final dos anos 50 e inicio dos 60 do século passado, a região não estava preparada para receber tanta gente, que pacificamente invadiu a periferia da capital, ocupando leitos de cheia, fixando-se em barracas construídas nas margens de ribeiras e rios. Na verdade os portugueses pagavam a primeira grande fatura do abandono dos campos, mas passados 50 anos continuamos a pagar faturas dessa desertificação, agora no interior do país com o drama dos incêndios rurais.
Ficam aqui alguns apontamentos sobre esse momento trágico que definitivamente mudou a perceção de muitos portugueses em relação ao seu país e ao regime que então (des)governava Portugal.





sábado, 6 de agosto de 2016

Aos 50 anos, a ponte continua a atalhar caminhos

Faz hoje 50 anos que foi inaugurada (6 de agosto de 1966) como Ponte Salazar, mas a Revolução dos Cravos procurou fazer a vontade ao "feitor dos ricos" e depressa a converteu em Ponte 25 de Abril; o velho ditador começou por não querer a construção da Ponte e depois também não queria o seu nome (como qualquer feitor era "fino" e sabia que o seu nome ia ter dificuldades no tempo), mas acabou por acatar a força interior do regime que, naturalmente, queria uma grande obra para perpetuar a sua "dimensão de Estado Novo".  

(Fonte:www.infraestruturasdeportugal.pt)

Em boa verdade, esta foi uma obra que os engenheiros e técnicos portugueses souberam acompanhar e gerir com uma interação perfeita com o consórcio americano vencedor da proposta de construção e, vejam bem, terminou antes do prazo; é por isso justo que os portugueses sejam reconhecidos por este feito, que há 50 anos era a maior ponte suspensa fora dos EUA. A nível político o papel do engenheiro Arantes e Oliveira (Ministro das Obras Públicas de Salazar durante cerca de 13 anos) foi determinante, um homem a quem a engenharia portuguesa muito deve, e que, sem dúvida, com a sua obra ajudou a amparar o regime de então.

(Fonte:www.infraestruturasdeportugal.pt)
A ponte nestes 50 anos cumpriu o seu papel e, curiosamente, ou não, fez das duas margens aquilo que Salazar não apreciava: o quadrado de Portugal não miserável e com dimensão moderna. No fundo é uma obra do País, como outras, que deve ser saudada por Portugal e lembrada de forma a não esquecermos todos os que ali arduamente trabalharam, alguns perdendo a própria vida.
Por tudo Viva a Ponte 25 de Abril e Boa Sorte para os próximos cinquenta!
Mais informações no site da RTP e no site da IP





quinta-feira, 19 de maio de 2016

Catarina

Catarina Eufémia nasceu em Baleizão, no Alentejo, a 13 de fevereiro de 1928. Dedicou a sua vida ao trabalho rural. Durante uma greve, a 19 de maio de 1954, foi baleada por um carajola da Guarda Nacional Republicana. Tinha então 26 anos e carregava ao colo um filho de oito meses, no momento em que é assassinada.
A história de Catarina é uma história de resistência e combate à opressão da ditadura de Salazar e facilmente transformou-se num símbolo da luta dos trabalhadores.


A vida e morte de Catarina Eufémia acabaram eternizadas pela História, cantadas por Zeca Afonso, contadas pelos poemas de Sophia de Mello Breyner, Carlos Aboim Inglez, José Carlos Ary dos Santos, entre outros.
 

quarta-feira, 16 de março de 2016

16 de Março de 1974 ou Abril a nascer!

«A imagem que ficou na memória dos portugueses sobre a intentona tentada pelo Regimento de Infantaria N. º 5 das Caldas da Rainha no dia 16 de Março de 1974 foi a de uma coluna militar que ficou parada às portas de Lisboa. Ilustrava perfeitamente o golpe militar frustrado, que só teria o seu epílogo a 25 de Abril, e que logo deu origem a uma anedota bastante popular. A de que os camiões com 200 militares que iriam ocupar o Aeroporto de Lisboa teriam parado às portas de Lisboa porque o então presidente da República, Américo Tomás, ameaçou que o primeiro a chegar à capital seria obrigado a casar com a sua filha. (...)

A anteceder o 16 de Março tinham- se verificado mais dois factos políticos que fizeram o presidente do Conselho hesitar: a 22 de fevereiro dera- se o lançamento do livro Portugal e o Futuro, do general Spínola, que defendia uma solução política e não militar para a guerra no Ultramar; a 14 de março, o Governo demitira os generais Spínola e Costa Gomes dos cargos de chefe e vice- chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, devido à ausência no evento em que as chefias militares se solidarizavam com Caetano, numa cerimónia definida como representativa da “Brigada do reumático”.
A demissão dos dois generais espoletou a Intentona das Caldas e criou esse acto militar falhado.»

Dias depois, o "padrinho" explicava-se assim:


quarta-feira, 12 de agosto de 2015

e a 12 de Agosto, um discurso que nos dói...e a glória

A 12 de Agosto de 1963, pouco tempo depois do Conselho de Segurança ter condenado a política colonial portuguesa, o ditador fascista A. Salazar fazia um discurso aos microfones da RTP e Emissora Nacional que ficou célebre (tristemente, diria!).  
Vejamos então um pequeno excerto do discurso, bem ilustrativo:  
"Sem hesitações, sem queixumes, naturalmente como quem vive a vida, os homens marcham para climas inóspitos e terras distantes a cumprir o seu dever. O Dever que lhes é ditado pelo coração e pelo fim da Fé e Patriotismo que os ilumina. Diante desta missão, eu entendo mesmo que não se devem chorar os mortos. Melhor: Nós havemos de chorar os mortos se os vivos os não merecerem."
Será que a esmagadora maioria dos portugueses sentiam verdadeiramente estas palavras? pelo que sabemos, definitivamente não. Mas passados mais de cinquenta anos, e para os menos atentos, é preciso afirmar que este legado continua por aí; desaparecido a 25 de Abril de 1974, mas por muito pouco tempo, ressurgiu rapidamente, primeiro com "passinhas" mansas embora bem assertivas (lembram-se! faz agora 40 anos já fazia das boas aproveitando as hesitações e boas vontades de alguns) e agora já em todo o seu esplendor, com “passos” bem largos. A não esquecer!
Num outro plano oposto, a 12 de Agosto de 1984, Carlos Lopes daria a Portugal a 1.ª Medalha de Ouro em Jogos Olímpicos, aqui evocada através da reportagem da SIC em 2009. Simplesmente memorável!

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

António Dias Lourenço, um amante da liberdade

António Dias Lourenço faleceu em 2010, faz hoje 5 anos. É pois um momento oportuno para não esquecer esse grande português e um dos mais destacados dirigentes comunistas da história do PCP que dedicou a vida à luta dos trabalhadores e do povo português, à luta do seu Partido contra o regime fascista, contra a exploração, pela liberdade, pela democracia, pelo socialismo e por uma nova sociedade.

Dias Lourenço nasceu em Vila Franca de Xira em 25 de Março de 1915, filho de uma costureira e de um ferreiro. Foi amigo de infância de Alves Redol. “Muitas vezes quando a maré já estava vazia íamos de barco até uma rocha que ficava um bocadinho fora do Tejo no momento da vazão da maré. Descíamos e íamos apanhar o marisco. Éramos íntimos amigos”, disse Dias Lourenço em 2007 numa entrevista ao jornal “O Mirante”. Com Redol, Dias Lourenço é co-responsável pela popularização do neo-realismo. “O Alves Redol era o principal, mas eu e vários jovens com tendências intelectuais e políticas demos grande impulso a todo esse movimento literário que é conhecido naquela zona”, contou na mesma entrevista. 
Aos 13 anos Dias Lourenço começou a trabalhar, como torneiro mecânico. Aos 17 aderiu ao PCP. “Éramos jovens profundamente ligados à intelectualidade e ao jornalismo. Organizávamos aulas no velho sindicato que funcionava como escola. Chegamos a juntar 50 ou 60 trabalhadores com mulheres. Costureiras e fiadeiras e operários. Aprendi a falar Esperanto para poder dar aulas à malta. Tínhamos muita actividade literária e com forte participação nesses jornais da época. Não só de Vila Franca e do Ribatejo, mas também de Lisboa”.
António Dias Lourenço teve activa participação na reorganização do Partido de 1940/41, nomeadamente no Baixo Ribatejo (onde integrou o respectivo Comité Regional), tendo-se tornado funcionário do Partido e passado à vida clandestina em 1942, assumindo a responsabilidade de tipografias e do aparelho central da distribuição da imprensa do Partido. 
Eleito para o Comité Central em 1943 só de lá saiu em 1996 "para dar lugar a outros camaradas mais novos". Dias Lourenço integrou organismos dirigentes das grandes greves de Julho e Agosto de 1943 e de Maio de 1944 e esteve ainda ligado a outras grandes acções de massas como o 1º de Maio de 1962 e a luta pela conquista das 8 horas de trabalho nos campos. Integrou o Secretariado do Partido entre 1957 e 1962, e foi membro da Comissão Política em 1956 e entre 1974 e 1988. Foi responsável pelo «Avante!», Órgão Central do PCP, de 1957 a 1962, ano da segunda prisão, e seu Director desde a publicação do primeiro número legal em 1974 até 1991.
Preso duas vezes, em 1949 e 1962, Dias Lourenço passou 17 anos nas prisões fascistas, tendo protagonizado uma das mais audaciosas fugas ao evadir-se do Forte de Peniche em 1954. Nesta fuga, quando viu que o grupo de pescadores com quem seguia queria entregá-lo à polícia, abriu o jogo: "Sou membro do PCP, acabei de fugir do Forte, vocês têm de me ajudar". Eles ajudaram. Em 1960, é Dias Lourenço quem organiza a fuga de Álvaro Cunhal e de mais dez membros do PCP, num "trabalho meticuloso e sigiloso que durou muitos meses".

Entre 1962 e Abril de 1974, haveria de voltar à prisão onde "não podia inventar nada, porque nem papel tinha para escrever". Mas Dias Lourenço "ia pensando em tudo, fazendo versos, cantando cá para mim", como recorda numa das muitas vezes que voltou a Peniche para recordar passo a passo a audaciosa fuga de 1954. "Engendrou tudo sozinho, estudou as marés, avisou que ia partir, destruiu a vedação de uma cela solitária, atirou-se ao mar em pleno Dezembro - quando a polícia chegou ao local, constatou que é preciso gostar muito da liberdade para fugir daquela maneira".
Dias Lourenço nunca negou a sua ligação ao partido, mas não havia ameaça ou tortura que o fizesse abrir a boca. "Sou membro do Comité Central do PCP, mas recuso-me a dizer seja o que for", declarou, quando foi preso pela primeira vez, em 1949, antes de ser espancado a cassetete com a preocupação de manter uma expressão que não fosse de dor, Inventou “um sorriso constante” para que os pides não lhe vissem na cara o sofrimento provocado pela tortura. “Eu já sabia que eles gostavam de ver a cara dos presos sob a tortura. E resolvi construir para a minha cara um ligeiro sorriso constante. (…) A mim não me hão-de ver a cara torturada”. Quando o filho António morreu, ainda criança – o maior desgosto da vida de Dias Lourenço – não o deixaram ir ao funeral.  “O facto de estar preso e de não lhe permitirem comparecer no funeral foi uma forma particularmente vil de [a PIDE] procurar quebrar a sua firmeza. Uma vez mais, falharam. A prisão da sua filha Ivone foi igualmente causa de sofrimento. Mas também de orgulho, pela mulher e pela comunista que se tornara”.  
Quando chegou o 25 de Abril, António Dias Lourenço estava preso no hospital-prisão de Caxias. E antes da revolução estava a planear outra fuga. Uma vez disse: “O 25 de Abril lixou-me a fuga”. Dessa vez a ideia era vestir-se de mulher e sair pela porta principal no final do horário das visitas, misturando-se com elas. O actor Rogério Paulo já lhe tinha entregue duas perucas, uma loira e outra morena, para compor o disfarce. Mas da segunda vez não foi preciso. Ao todo, António Dias Lourenço esteve preso 17 anos. Cinco em Peniche, de onde saiu atirando-se para o mar, e 12 em Caxias até ser libertado pelo 25 de Abril. Quando Álvaro Cunhal chegou a Lisboa vindo do exílio, António Dias Lourenço já conseguiu ir esperá-lo ao aeroporto. 
António Dias Lourenço foi Deputado entre 1975 e 1987, tendo feito parte da Assembleia Constituinte. Deixou publicadas valiosas obras ligadas à luta como «Vila Franca de Xira: um concelho no país – contribuição para a história do desenvolvimento socio-económico e do movimento político-cultural», «Alentejo: legenda e esperança», e ainda «Saudades... não têm conto! - Cartas da prisão para o meu filho Tónio».
Com Alves Redol, Dias Lourenço inventou os “passeios no Tejo”. “O Redol e eu fazíamos o trajecto entre Vila Franca e o Carregado. Saíamos do barco e íamos petiscar para o campo. Uma gaita! Íamos comer, mas íamos era conversar sobre política. No Tejo não havia ninguém para nos ouvir. Ali ficávamos e ali fazíamos grandes reuniões. Já nas propriedades do Palha Blanco”, contou Dias Lourenço a “O Mirante”. 
Assistiu ao nascimento de Alves Redol escritor: “O Redol a certa altura começa a escrever. E um dia em Vila Franca chama-me. Tinha seis folhas de papéis almaço escritas à mão. ‘Olha, quero que tu leias e que me digas se sou capaz de escrever um romance’. Então eu pus-me em sentido, em jeito de brincadeira: ‘Decreto número um, artigo primeiro: Declaro que tu és capaz de fazer um romance’ (Risos). Claro que era capaz de escrever romances, como sabe, fez vários... mas esse era o primeiro. Chamava-se “Glória – uma aldeia do Ribatejo”.  
Um dia, em plena ditadura, canta “A Internacional” ao lado de Miguel Torga. “Uma vez eu, o Redol e ele passámos o Tejo para o lado de lá. Tinha acabado a Guerra Civil de Espanha. Estávamos a falar os três sobre o assunto. O Torga, o Redol e eu a certa altura começámos a cantar ‘A Internacional’. A certa altura diz o Torga: ‘Caramba, nunca pensei que alguma vez se pudesse cantar a Internacional alto neste nosso Portugal!”. É claro. Ninguém mais podia ouvir. Senão nós três. Estávamos sozinhos”. 
Viveu 17 anos na clandestinidade e esteve preso outros tantos, dirigiu o jornal Avante durante igual período e dizia que 17 era o seu número da sorte e do azar. Até ao fim, mesmo com a saúde já débil, Dias Lourenço continuou a ir quase todos os dias à sede do PCP. São assim os "nossos grandes Homens"!
Fontes: www.pcp.pt; JN; Wikipédia

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

A Ponte...

A 6 de Agosto de 1966 era inaugurada a Ponte Lisboa-Almada, sob o nome do ditador do Estado Novo. Com a Revolução de 25 de Abril de 1974 tornou-se um símbolo da liberdade e naturalmente rebaptizada de Ponte 25 de Abril. Faz hoje 49 anos.
(imagem retirada de www.infraestruturasdeportugal.pt)
Em dia de aniversário, a empresa gestora Infraestruturas de Portugal inaugura uma exposição sobre a Ponte, com o texto que aqui se reproduz (http://www.infraestruturasdeportugal.pt/centro-de-imprensa/ponte-que-nos-liga).
"A 6 de agosto de 2015 esta obra emblemática comemora 49 anos. Como tal, a efeméride não poderia passar despercebida.
A Ponte que nos liga” estará patente na Estação Ferroviária do Cais do Sodré, entre 6 e 14 de agosto. Sendo itinerante, esta mostra pode depois ser visitada, de 14 de agosto a 4 de setembro, na Estação de Santa Apolónia, de 4 a 30 de setembro, na Estação de Roma-Areeiro, e de 30 de setembro a 20 de outubro, na Estação de Lisboa-Oriente.
A Ponte sobre o Tejo foi inaugurada a 6 de agosto de 1966 com o nome ‘Ponte Salazar’ e, após a Revolução de 1974, foi rebatizada como ‘Ponte 25 de Abril’. Ligou a margem direita e a margem esquerda do rio Tejo e tornou-se símbolo.
Obra maior de engenharia, lugar de pendularidade, de radicalização da transformação do território, de  produção do urbano, de contestação, de fruição.
Muito mais que paisagem que a vista abarca, é lugar de observação.
A Ponte que nos liga é elemento da essência da cidade e faz do Tejo um rio habitado. Como qualquer ponte rodoferroviária que atravessa um rio em meio urbano, a Ponte 25 de Abril liga margens, territórios, bens e pessoas. O seu caráter, contudo, vem da grandeza da obra de engenharia, do trabalho de quem a construiu, da estética que embeleza a paisagem,  da energia que dela emana.
A exposição comemorativa do 49.º aniversário da Ponte 25 de Abril, que conta com o apoio da JCDecaux, revisita as datas que marcam a sua história, mas centra-se no registo iconográfico da sua construção. 
Ao longo dos últimos 49 anos, esta  emblemática infraestrutura adaptou-se e respondeu às necessidades de mobilidade urbana, acompanhando o processo de metropolização a sul. Em 2016 comemora-se o seu 50.º Aniversário. Nesta data, como antes, um postal ilustrado das cidades de Almada e Lisboa não viverá sem o seu rio e sem a sua Ponte.
Ponte 25 de Abril – Uma Ponte e tantos destinos"

sábado, 4 de abril de 2015

Maia

Salgueiro Maia (1/7/44 - 4/4/92) tornou-se um ícone português em Abril e, também, em Abril partiu, muito cedo, com apenas 47. Nunca é demais recordar esta figura ímpar e tão importante para a nossa vivência colectiva das últimos quatro décadas. 
Eis Maia a dar o nó no saco da ditadura salazarista:


sábado, 3 de janeiro de 2015

A Fuga de Peniche

Nos 55 anos da famosa fuga de Peniche, um documentário já com alguns anos:

O Forte de Peniche alberga muitas histórias que são parte da história da resistência à ditadura fascista do Estado Novo. Merece especial referência a fuga de 3 de Janeiro de 1960 que devolveu à liberdade e à luta dez destacados dirigentes e militantes do PCP: Álvaro Cunhal, Joaquim Gomes, Carlos Costa, Jaime Serra, Francisco Miguel, José Carlos, Guilherme Carvalho, Pedro Soares, Rogério Carvalho e Francisco Martins Rodrigues.
De acordo com o testemunho de Carlos Costa e Jaime Serra, ..."a história não os deixa esquecer, parou, frente ao Forte, um carro com o porta-bagagens aberto. Era o sinal de que, do exterior, estava tudo a postos. Quem deu o sinal foi Rogério Paulo, actor, já falecido. Dado e recebido o sinal, no interior do Forte dá-se início à acção planeada. Segundo relataram, o carcereiro foi neutralizado com uma anestesia e com a ajuda de uma sentinela – José Alves – integrado na organização da fuga. Os fugitivos passaram, então, sem serem notados, a parte mais exposta do percurso. Estando no piso superior, desceram para o piso de baixo por uma árvore. Daí correm para a muralha exterior para descerem, um a um, através de uma corda feita de lençóis para o fosso exterior do forte. Tiveram ainda que saltar um muro para chegar à vila, onde estavam à espera os automóveis que os haviam de transportar para as casas clandestinas onde deveriam passar a noite. Esta fuga, segundo contaram, só foi possível graças a um planeamento muito rigoroso e uma grande coordenação entre o exterior e o interior da prisão. De fora, a ajuda partiu de Pires Jorge e António Dias Lourenço, com a ajuda de Octávio Pato, Rui Perdigão e Rogério Paulo.
E Amália a cantar um fado, proibido pela censura pela sua "associação" à fuga de Peniche. 

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

A Ponte 25 de Abril

Hoje assinala-se uma data triste para a humanidade. Depois de Hiroshima (6 de Agosto de 1945) o mundo não voltaria a ser o mesmo, nem podia!
Hiroshima depois do bombardeamento (fonte: http://pt.wikipedia.org/)
Sem esquecer a tragédia mundial, centro-me num outro acontecimento de diferente significado, os 48 anos da Ponte 25 de Abril.
Ponte sobre o Tejo vista do Cristo Rei (fonte: http://pt.wikipedia.org/)
"A Ponte sobre o Tejo é uma ponte suspensa, com um comprimento total de cerca de 2.280m, tendo um vão central de 1.013m e dois vãos laterais de 483m cada. Na margem Norte existem dois vãos extremos e na margem Sul um vão extremo, cada um deles com 100m aproximadamente. Trata-se de uma das treliças mais longas do mundo, com ambas as torres principais elevando-se cerca de 190m acima do nível da água e tendo uma altura livre de navegação de 70m que assegura o acesso o porto de Lisboa a navios de grande porte.
A Norte, a ponte Suspensa está ligada a um viaduto em betão com um comprimento de 945m, medindo o conjunto aproximadamente 3.255m." (fonte: Lusoponte).
Em Novembro de 1962 iniciaram-se os trabalhos de construção da Ponte 25 de Abril (aquando da inauguração vivíamos em plena ditadura fascista e a ponte, apesar de legalmente designada por Ponte sobre o Tejo, era também chamada de Ponte Salazar). Menos de quatro anos após o seu início, a ponte que liga Lisboa a Almada, foi inaugurada (seis meses antes do prazo previsto) numa cerimónia que decorreu no dia 6 de Agosto de 1966, na presença das mais altas individualidades portuguesas do Estado Novo.

É uma ponte suspensa, rodo-ferroviária, que atravessa o estuário do rio Tejo na sua parte final e mais estreita. "O tabuleiro rodoviário foi construído inicialmente com duas vias em cada sentido individualizadas por um separador central, que uma vez removido permitiria a instalação de cinco vias, funcionando duas num sentido e três no sentido oposto. Em 23 de Julho de 1990 a 5ª via de circulação entrava ao serviço e a 6 de Novembro de 1998 era a vez da 6ª via também entrar em serviço...No inicio de 1993, a barreira da portagem foi transferida para o sentido Sul - Norte. " (fonte:Lusoponte)
Projectada para suportar, em simultâneo, tráfego ferroviário e rodoviário, até 1999 apenas ali passaram veículos rodoviários. Só passados 30 anos (em 1996) é que o Governo português de então procedeu à elaboração de um projecto para a instalação do tráfego ferroviário, através da montagem de um novo tabuleiro, alguns metros abaixo do tabuleiro do trânsito rodoviário, já em funcionamento. Finalmente a 30 de Julho era inaugurado o chamado comboio da ponte, com pelo menos 3 décadas de atraso.

Construída pela empresa norte-americana United States Steel Export Company, escolhida de entre quatro propostas apresentadas, a sua grandeza e a imponência está bem expressa no facto de, à data da sua inauguração, ser a quinta maior ponte suspensa do mundo e a maior fora dos Estados Unidos. Actualmente ainda ocupa um lugar de relevo nas pontes suspensas a nível mundial (quarenta anos após a sua inauguração, ainda ocupava o 20º lugar).
Devido à proximidade da Revolução de Abril, oito depois da inauguração, a Ponte sobre o Tejo adquiriu um valor de liberdade, considerada naturalmente um símbolo da libertação do regime anterior. Ao longo dos anos foi palco de protestos, bloqueios, provas desportivas, entre outros acontecimentos.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

(1) 25 de Abril: 40 anos

Ao percorrer a comunicação social destes últimos dias é fácil constatar as múltiplas noticias e rubricas sobre os 40 anos do 25 de Abril; confesso não ter visto nada de relevante: comemorações oficiais com programa paupérrimo, conferências, jantares e almoços, reportagens banais, artigos normais, aqui a li com algum aspecto interessante (como este!Rios ao Carmo)...todavia pouco para os 40 anos da Revolução dos Cravos.
Mais inquietante é a apologia do Estado Novo; dos elogios de Durão Barroso ao rigor do ensino no tempo da outra senhora, prontamente rebatidos aquiaqui e aqui, às sondagens feitas à medida sobre a seriedade dos políticos do "antigamente" (só que com estes simples pormenores percebemos melhor a "seriedade" das mesmas).
Voltando à essência do 25; a propósito, que belas imagens disponibilizadas por Alfredo Cunha sobre os acontecimentos do dia 25 de Abril de 1974. A imagem seguinte, uma das primeiras (ou a primeira!) sobre as movimentações da coluna de Salgueiro Maia no Terreiro do Paço, é bem representativa da luminosidade que acompanharia esse dia:
(fotografia de Alfredo Cunha, do site: www.alfredocunha.com)