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sábado, 25 de novembro de 2017

A tragédia das cheias de 1967

Faz esta noite 50 anos (Novembro de 1967), na noite de 25 para 26 abateu-se sobre a região de Lisboa uma tempestade de chuva torrencial. Em alguns locais do distrito, a água chegou a concentrar-se num volume de 170 litros por metro quadrado, e na estação meteorológica da Gago Coutinho, em Lisboa, foram registados 115,6 mm de precipitação num período de apenas 24 horas (cerca de 22% da média anual). O ano até tinha sido relativamente seco e ninguém esperava que a chuva que começou a cair com maior intensidade ao princípio daquela noite fria desembocasse numa tragédia apenas comparável ao Terramoto de 1755. A chuva que caiu sem parar e intensamente durante algumas horas teve origem numa depressão que percorreu todo o Vale do Tejo, afetando tragicamente os concelhos de Loures e de Vila Franca de Xira, mas também Odivelas, Oeiras, Cascais, Lisboa, Arruda ou Alenquer. Milhares de pessoas ficaram desalojadas, inúmeras habitações ficaram destruídas e, diz-se, mais de 700 pessoas terão perdido a vida. Só a povoação de Quintas, próximo de Castanheira do Ribatejo, perdeu 100 dos seus 156 habitantes. Os dados oficiais apontaram para mais de quatrocentas vítimas mortais, mas certamente que o número de mortos foi mais elevado, porque a censura da ditadura de Salazar não deixou passar a verdade e fez com que os jornais parassem de contar os mortos quando a contabilidade passou as primeiras centenas. O que essa noite inequivocamente mostrou foram as condições miseráveis em que viviam grande parte dos portugueses que haviam migrado do interior para a região de Lisboa em procura de melhores condições de vida. Com o êxodo rural do final dos anos 50 e inicio dos 60 do século passado, a região não estava preparada para receber tanta gente, que pacificamente invadiu a periferia da capital, ocupando leitos de cheia, fixando-se em barracas construídas nas margens de ribeiras e rios. Na verdade os portugueses pagavam a primeira grande fatura do abandono dos campos, mas passados 50 anos continuamos a pagar faturas dessa desertificação, agora no interior do país com o drama dos incêndios rurais.
Ficam aqui alguns apontamentos sobre esse momento trágico que definitivamente mudou a perceção de muitos portugueses em relação ao seu país e ao regime que então (des)governava Portugal.





segunda-feira, 16 de outubro de 2017

15.10.17


"A esperança tem duas filhas lindas: a indignação e a coragem. A indignação ensina-nos a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las."
Santo Agostinho




segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

40 anos do Poder Local eleito:1976-2016

Cumprem-se hoje quarenta anos sobre a realização das primeiras eleições autárquicas pós 25 de Abril de 1974. 
Passados 40 anos da instituição do Poder Local democrático em Portugal continua o caminho desafiante da capacidade coletiva das populações de resolverem os seus problemas. Mas é também o tempo de olhar o imenso trabalho feito, de rever o presente e projetar os caminhos inspirados do futuro.
Em boa verdade o Poder Local democrático trouxe à grande maioria das terras e lugares as estradas, a eletricidade, o abastecimento de água, o saneamento básico, mas também equipamentos sociais, culturais e desportivos indispensáveis ao desenvolvimento essencial das comunidades e territórios. Contudo estas obras não conseguiram fixar populações no interior de Portugal, criando os empregos sustentáveis e duradouros necessários a uma distribuição mais equilibrada da população no todo nacional.

Por isso os desafios continuam: aprofundar os mecanismos da democracia local e governança (perceber as novas realidades de participação democrática dos cidadãos na vida da sua comunidade), perceber a realidade das freguesias, dignificar o papel dos eleitos locais, mas igualmente dos funcionários da administração local, exigindo destes, naturalmente, maior rigor e transparência das suas decisões. Não menos importante é o desafio de perceber que hoje existe uma realidade de competitividade dos próprios territórios (Municípios/cidades) e que essa competitividade impõe necessariamente uma especialização destes, por um lado, aproveitando as suas forças e oportunidades e deixando de lado aspetos menos diferenciadores. Se envolvermos estes aspetos sublinhados anteriormente chegaremos facilmente à conclusão que a competitividade dos territórios também se manifesta no apoio ao investimento, no relacionamento da administração autárquica com os cidadãos, nas taxas e impostos pagos ou na qualidade ambiental e que a exigência para com as autarquias locais é cada vez mais a de oferecerem qualidade de vida aos seus cidadãos bem para lá dos serviços básicos que foram criando ao longo dos últimos 40 anos e que as infraestruturas ligadas à saúde, ao ensino, ao lazer, ao desenvolvimento económico e à inovação assumem uma importância absolutamente crucial na fixação da população no território.
Por isso o caminho tem que continuar, assumindo novos rumos e qualidades!

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

160 anos do comboio em Portugal

Faz hoje 160 anos que o comboio começou a circular em Portugal. Estão de Parabéns todos aqueles que ao longo destes anos possibilitaram estes caminhos fabulosos, apesar de tantas vezes tortuosos!
A CP - Comboios de Portugal festeja neste dia 28 de outubro os 160 anos da primeira viagem de comboio, disponível no link em baixo. "O valor para a coesão territorial e o peso estratégico e económico na sustentabilidade ambiental, na intermodalidade e na mobilidade, impõe o comboio como modo de transporte também imprescindível para as exigentes sociedades do século XXI."
https://www.cp.pt/institucional/pt/cultura-ferroviaria/160-anos
Esta data não deixa de ser uma boa oportunidade para visitar o Museu Nacional Ferroviário, no Entroncamento. As entradas este fim-de-semana são grátis.

Também por esta altura publicam-se algumas boas reportagens, como esta:
- 160 anos na linha
 ou em revistas como esta:

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Viva a República!

A República (do latim res publica, "coisa pública") é uma estrutura política de Estado que, segundo os pensadores mais antigos como Cícero, definem três condições fundamentais para a sua existência: pessoas em número suficiente (multitude), uma comunidade de interesses e de fins (communio) e um consenso do direito (consensus iuris). Germina dda reunião de três forças: libertas do povo, auctoritas do senado e potestas dos magistrados.
Em Portugal o regime republicano foi implantado no inicio do século XX, como resultado de um golpe de estado, transformado em revolução, que destituiu o rei D. Manuel II no dia 5 de outubro de 1910.
Logo de imediato tomou posse um governo provisório que introduziu uma série de reformas de fundo e organizou eleições para a Assembleia Nacional Constituinte, que elaborou a Constituição de 1911.

Curiosamente a República não chegou a todo o território no mesmo dia. Na Margem Sul do Tejo, como Barreiro, Moita, Almada foram dos primeiros municípios que logo no dia 4 de Outubro proclamaram a República. Em Almada, por exemplo, as bandeiras foram hasteadas nos centros republicanos «Elias Garcia» e «Capitão Leitão» na Câmara e na Administração do Concelho, respetivamente, e uma bandeira republicana no alto do Forte de Almada. Já em algumas localidades do Norte de Portugal, nomeadamente em Trás-os-Montes, a República demorou vários dias a chegar.

Viva a República!

A Estação de S.Bento faz 100 anos

A Estação de São Bento, situada no Centro Histórico do Porto, faz hoje 100 anos. Entrou ao serviço, de forma provisória, no dia 8 de Novembro de 1896, mas só em 5 de Outubro de 1916, após a conclusão, foi oficialmente inaugurada. Desde então a Estação afirmou-se como um dos principais monumentos na cidade, sendo especialmente célebre pelos seus painéis de azulejo, tendo já sido considerada a 8ª mais bela do mundo. 

(fonte:https://pt.wikipedia.org/)
 "A primeira pedra foi lançada em 1900 pelo rei D. Carlos I, no local onde antes se encontrava o antigo convento de S. Bento de Avé Maria. O projeto inicial foi do arquiteto Marques da Silva, denotando no seu traço exterior influências da arquitetura que se praticava em França na época.
É notável e merece ser visitado o interior do amplo átrio, forrado com vinte mil azulejos pictóricos da autoria de Jorge Colaço, que representam sugestivos quadros históricos e etnográficos.
O friso colorido que se encontra a toda a volta do átrio conta a história dos meios de transporte por ordem cronológica, dos primórdios até ao aparecimento do comboio. Por baixo, grandes painéis historiados representam cenas da História de Portugal.
No lado Norte, o quadro superior descreve um momento do Torneio de Arcos de Valdevez e o quadro abaixo, o cumprimento da palavra de Egas Moniz. Do lado sul, o painel do topo permite imaginar a entrada solene de D. João I no Porto, com sua noiva, D. Filipa de Lencastre e o inferior, cenas da Crónica de Ceuta. Outros painéis de menor dimensão têm por assunto quadros da vida da região."
extraído de https://www.visitportugal.com/pt-pt/content/cp-comboios-de-portugal-estacao-de-sao-bento 
 
(fonte: https://www.visitportugal.com/pt-pt/content/cp-comboios-de-portugal-estacao-de-sao-bento)

Um local muito particular onde coexistem muitos aspetos diversos, desde históricos, patrimoniais, artísticos, transportes até, simplesmente, aos quotidianos.

É um local tão especial que os James já passaram por lá em concerto, a 27 de novembro de 2014 foi assim: 

 
 

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Vilar de Mouros voltou!

O mais antigo festival de música moderna em Portugal está de volta, ou seja, Vilar de Mouros (desde 1971!) e deste feita com um cartaz fantástico de bandas míticas dos anos 80 e 90, mas onde não faltam artistas portugueses, senão vejamos aqui: http://festivalvilardemouros.pt/













quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Paredes de Coura 2016

De hoje até 20 de Agosto, o Vodafone Paredes de Coura está de regresso ao anfiteatro natural da praia fluvial do Taboão para mais uma edição do já famoso festival de Verão, que passados mais de duas décadas desde o inicio "continua a proporcionar aos amantes de música uma experiência única num cenário idílico". A edição de 2015 (a 23ª) foi um êxito, mesmo histórica, "teve lotação esgotada e deu ao festival os prémios de Melhor Festival de Grande Dimensão, Melhor Cartaz, Melhor Festival Não Urbano, Melhor Campismo e Melhor Ativação de Marca nos Portugal Festival Awards".


Se é verdade que o cartaz desde ano não chega ao do ano anterior, mas vale a pena rumar até Paredes de Coura. Por lá vão passar CHVRCHES, LCD Soundsystem e muito mais, basta ver aqui: http://www.paredesdecoura.com/. 


 

 

domingo, 14 de agosto de 2016

Museu Nacional de Arte Antiga

Uma boa forma de conhecermos melhor a nossa História é através da visita aos museus e ao vasto património que ainda existe neste país. Um bom exemplo é o Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, onde podemos observar a imagem seguinte, talvez a mais conhecida de D. João I, "O de Boa Memória", que a 14 de Agosto  de 1385 foi um dos símbolos da vitória dos portugueses na Batalha de Aljubarrota e da garantia da nossa independência, faz hoje precisamente 631 anos.

Fonte. http://museudearteantiga.pt/



Vale a pena conhecer este museu de forma tranquila, para melhor saboreamos os pormenores. Podemos até atalhar caminhos, para mais tarde voltarmos!

domingo, 31 de julho de 2016

"O Senhor Atletismo" ou o "Senhor Desporto"!

A grandeza de um Homem como Prof. Mário Moniz Pereira não se mede em palavras; poucas palavras, mas Enormes, são provavelmente as que melhor podem definir a dimensão deste SENHOR:


Tudo o que se escreveu ou possa escrever sobre o "Senhor Atletismo", ou melhor, "Senhor Desporto", certamente não chegará para descrever aquilo que este Homem foi na vida desportiva portuguesa, e não só; partiu hoje aos 95 anos e deixa uma imensa obra e saudade. Um EXEMPLO, "Valeu a pena"!


A homenagem da SportingTV nos seus 94 anos:


sábado, 23 de julho de 2016

O épico 5-3 sobre a Coreia do Norte

23 de Julho de 1966 - há 50 anos, a Selecção Nacional de Futebol protagonizou uma reviravolta épica e espetacular no Campeonato Mundial de Futebol desses ano, que se disputou em Inglaterra. Foi contra a Coreia do Norte, nos quartos de final, depois de aos 24 minutos da 1ª parte já o resultado era de 3-0 a favor dos coreanos, mas no final ganharam os portugueses por 5-3, com 4 golos de Eusébio e um de José Augusto. Fabuloso!

(Fonte:www.abola.pt)
Portugal alinhou com: José Pereira, Morais, Alexandre Baptista, Vicente e Hilário; Jaime Graça e Coluna; José Augusto, Torres, Eusébio e Simões.


terça-feira, 12 de julho de 2016

Azia após a derrota e um abraço

Sim, perder custa, sobretudo quando arrogantemente pensamos que já ganhámos! Foi o que aconteceu no domingo à maioria dos franceses. Temos pena, Kompensan ou Rennie resolvem!

  Brûlures d'estomac! Ne vous inquiétez pas, très RENNIE ça va passer!

Veja-se esta notícia: "Os franceses, “incrédulos” com a derrota, criaram esta segunda-feira uma petição pedindo a repetição da final do Euro 2016." (in http://zap.aeiou.pt/franceses-assinam-peticao-para-repetir-a-final-que-ganhem-juizo-respondem-os-portugueses-120543)


Em tempo: mas também houve aquele abraço de um pequeno adepto português ao desconsolado adepto francês e que podemos estender a todos os franceses depois de mais um atentado, desta feita em Nice; facilmente "descemos à terra" e percebemos que afinal o futebol é efémero; mas continuamos a caminhar...

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Finalmente, Portugal Campeão da Europa de Futebol

11 contra 11 e no fim... ganhou PORTUGAL! 
PARABÉNS a todos os Jogadores, Treinador(es), Federação e, claro, ao POVO Português espalhado pelos cantos do planeta que sempre acreditou e, também aos outros portugueses e amigos de Portugal que criticando, bem ou mal, acabaram por ajudar.


O futebol é um desporto coletivo, e como tal, só quando é interpretado dessa forma por todos os actores pode levar ao sucesso; não chega uma simples soma das partes, é preciso mais; e no nosso caso houve esse sentido coletivo e, depois, também um pouco de sorte (sempre necessária para o êxito), sendo certo que a sorte trabalha-se e, como se diz por aí, é uma boa oportunidade para a competência.


 


segunda-feira, 25 de abril de 2016

O 25 de Abril e um dos seus protagonistas

Andrade da Silva, um dos primeiros protagonistas das ações do 25 de Abril, na então Escola Prática de Artilharia, em Vendas Novas e, depois, em Almada/Cristo Rei, apresenta hoje mais uma reflexão sobre esta importante e significativa data recente da História de Portugal:

"Pediu-me, o meu amigo e companheiro de luta, Eduardo Milheiro, para falar do 25 de Abril com que convivi e tenho convivido este tempo todo, estes 42 anos que em termos históricos é um tempo curto, mas nas nossas vidas imenso. Então, era um jovem tenente de 25 anos, passado este lapso de tempo, parece que neste Portugal, ao arrepio de Abril, somos peste, ou, segundo uma nova formulação de Costa Pinto, espuma, e, ainda mais, pela condição de militar.

Todavia e pese embora a desfaçatez desta gente, a minha grande descoberta interior é que o espírito da Revolução do 25 de Abril sempre existiu em mim, pela educação que recebi e o exemplo que em casa tive com o modelo da minha mãe e pai, exactamente por esta ordem, 1º a minha mãe. Era uma mulher, e o meu pai também que irradiavam: CORAGEM, HONESTIDADE, VERDADE, LIBERDADE DE AFIRMAÇÃO, PATRIOTISMO, RESPEITO E AMOR PELO OUTRO,PELOS ANIMAIS, AS PLANTAS, A NATUREZA, e, no caso dela, Deus, no que a segui até aos meus vinte e poucos anos.

Esta foi uma descoberta intemporal e imaterial, isto é, quem vive destes e para estes princípios, em verdade, um dia, tarde ou cedo, revolta-se contra os que são a negação do que afirmam ser e defender, assim, o reconheci com a Igreja Católica e os fascismos, e, assim, também identifico a maior parte da realidade politica construída, sobretudo, depois do 25 de Novembro 1975, com o esmagamento dos militares que João Lacerda, no livro do ano de 1976, identifica como os militares mais próximos do povo explorado, e, porque assim aconteceu?

Na resposta cabe a história/estória/ cronica daqueles e destes tempos, que vou tentar contar-vos
Inicio este texto no dia 18 de Abril 2016, exactamente 40 anos depois de quase ter sido linchado na Madeira, por causa de ter anunciado com os trabalhadores Alentejanos a Reforma Agrária que, de um modo mais profundo, a Constituição de 1976 instituiu.

Constituição que entrou em vigor a 25 de Abril 76, por a termos precedido, fui rotulado de comunista e mandado para a Madeira, depois de, a 13 de Março daquele ano, o general Chefe do Estado Maior do Exército, imperativamente me ter dito que tinha de ir. Como suspeitava que os FLAMISTAS (os independentistas capitaneados ou amados num nível qualquer por João Jardim) me iam tornar a vida viúva -negra até à morte, recusei por duas vezes o embarque, porém, vencido parto e em 26 de Março sou ameaçado de morte pelo suposto chefe operacional dos bombistas, de seu nome Firmino, meu antigo colega. Do facto dou conhecimento ao Brigadeiro Azeredo que me deixa entregue a mim mesmo - que me defenda, depois dar-me-iam todo a apoio. Deram, como me defendi, fui preso no forte da Trafaria, onde, passo o 1º Dia da entrada em vigor da Constituição- 25 de Abril 76, corria o meu sexto dia de prisioneiro que, assim, registo no meu diário:

" Em Portugal a festa da liberdade, ou o enterro da revolução?

Na rádio fala-se em alegria, paz e sei lá mais o quê: homenagem aos homens de Abril. Aos capitães, deve-se mais este segundo ano de liberdade. Se por um lado isto é embriagante que sabor amargo deixa na boca de um que também criou aquela liberdade,e tudo sem a menor hesitação, aos 25 anos de idade, arriscou para a conquistar e colocar ao serviço dos outros, e, agora, jaz preso!

O dia 25 de Abril 1976 foi duro também pelas incertezas que pressinto, inerentes ao processo eleitoral, onde, um grande número de trabalhadores ainda continua agarrado às mil mentiras que a Igreja e o fascismo solidamente cimentaram entre o nosso povo, que sendo dócil, pachorrento não reage, e aceita o que os supostos homens de bem lhes dizem.

Todavia, creio que este povo sabe o que quer, contudo, ainda não se apercebeu que quando um Freitas do Amaral ou um Sá Carneiro lhes dizem que estão com ele e vão resolver-lhes os problemas- mentem, enganam-nos. Mas um dia o povo saberá que o capitalismo vive da exploração e da miséria do povo, e a partir de então nascerá a revolução socialista e popular, isto, sinto-o, por um lado, por outro, a melancolia, a solidão e a angústia da minha prisão.

Estou preso, porque não me deixei matar, porém não ignoro que mil vozes se levantarão para se vingarem de quem em Abril, tão cedo, noite de 24, ainda, pelas 22h 55', ao som da canção "E Depois do Adeus " embrenhou-se no processo, na Revolução do 25 de Abril, que me trouxe a esta prisão, onde, me liquidarão militar e civilmente"

Eis o meu 25 de Abril 1976, depois de ter previsto,após a conversa com o sr. General Eanes, em 13 Março 76, que a mais dura repressão e violência se abateria sobre o povo Alentejano, como veio a acontecer, encerrando-se, em definitivo e de um modo inconstitucional, a Reforma Agrária, nas terras transtaganas com as mortes em Setembro de 1979 de Caravela e Casquinha, este, um jovem de 17 anos."

Continua aqui

25 de Abril de 1974, senha 2

Aos primeiros minutos do dia 25 de Abril de 1974 é dado o segundo sinal, às 0h20 m, quando a canção Grândola, Vila Morena de Zeca Afonso é transmitida pelo programa Limite, da Rádio Renascença, que confirma o golpe e marca o início das operações. O locutor de serviço nessa emissão é Leite de Vasconcelos, jornalista e poeta moçambicano. Ao contrário de E Depois do Adeus, que era muito popular por ter vencido o Festival RTP da Canção, Grândola, Vila Morena fora ilegalizada.


 

domingo, 24 de abril de 2016

24 de Abril de 1974, senha 1



No dia 24 de abril de 1974, um grupo de militares de vários regimentos militares desenvolveram uma ação concertada, comandados por Otelo Saraiva de Carvalho que juntamente com outros oficiais ficam instalados secretamente num posto de comando do MFA no quartel da Pontinha, em Lisboa.

Às 22h 55m é transmitida a canção E depois do Adeus, de Paulo de Carvalho, pelos Emissores Associados de Lisboa, emitida por João Paulo Diniz. Este é um dos sinais previamente combinados que desencadeia a tomada de posições da primeira fase do golpe de estado.