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quarta-feira, 22 de julho de 2015

Para não esquecermos...

Divida

 “Portugal agrava défice da balança corrente para 440 milhões” 

“…Portugal vai gastar este ano 8.836 milhões de euros com juros da dívida pública. A factura com juros corresponde a 5% do PIB, o que faz de Portugal o país da União Europeia (EU) que mais gasta com juros em percentagem do PIB…”

Emigração
“…Em 2013, terão entrado nos países de destino pelo menos 110 mil portugueses, quase três vezes mais do que em 2001 (cerca de 40.000). Entre 2012 e 2013, a população residente em Portugal diminuiu 0,5%...”
BPN
“Factura com o BPN subiu 485 milhões de euros em 2014. Tribunal de Contas contabiliza 2691 milhões de euros de custos para o Estado com o BPN”
Que apertar o cinto e fazer sacrifícios significa:



E para rematar, alguns números de uma dura realidade:
- O nível de vida dos portugueses recuou, em 2013, para valores de 1990, ficando 25% abaixo da média europeia, dados revelados pelo estudo "Três Décadas de Portugal Europeu: Balanço e perspectivas", coordenado pelo economista Augusto Mateus, antigo ministro da Economia (1996-97) e secretário de Estado da Indústria (1995-96) no Governo PS liderado por António Guterres. O documento, divulgado recentemente, mostra que desde a integração europeia o peso da indústria caiu cerca de 10%, enquanto a contribuição da agricultura para a riqueza nacional passou de 8%, em 1986, para apenas 2% nos dias de hoje. 
- Este estudo dá ainda conta da degradação das condições de trabalho, com o número de precários (calcula-se 700 mil) a aumentar 50% em relação a 1986. Em termos de precariedade Portugal apresenta assim a terceira taxa mais elevada da União Europeia.
- Já no que diz respeito à emigração, Portugal ocupa o primeiro lugar, com mais de 5 milhões de portugueses espalhados pelo mundo. 
- O declínio económico também se traduziu no decréscimo e envelhecimento da população. Se em 1986, Portugal comportava 23 % de jovens e 12 % de idosos, hoje, os jovens são menos de 15 % e os idosos já representam já 25% da população.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Nestes dias quentes, a frescura de uma reflexão

Por estes dias ouvimos muito falar da Europa, Grécia,..as opiniões são quase todas alinhadas pela espuma do que a "pseudo-elite comentarista" nos diz. Mas sempre existe alguém que pensa para além do que vamos assistindo. Bem à frente do tempo que vivemos, JPP (José Pacheco Pereira) reflecte como poucos sobre "os dias de lixo(não é o único, certamente!). O texto que publicou na última edição da revista Sábado (e no seu blogue Abrupto) é disso um bom exemplo. Pelo significado aqui fica um pequeno extracto (os sublinhados são da minha autoria):

"MORAL
O tempo mostrará como a pior herança destes dias de lixo que vivemos já há vários anos será de carácter moral. Moral de moral social, cultural e política, atingida no seu cerne pela emergência de uma forma de egoísmo social que se materializa em profundas divisões entre diferentes grupos na sociedade e pela tendência de se ser egoísta olhando para o lado, para o vizinho, ou para os pais dos colegas do filho na escola, ou para o companheiro de trabalho, para a mesa do café do lado, para o que recebe mais 10 euros do que eu, em vez de se olhar para cima, para o exercício do poder e para as suas opções. Lá em cima, agradece-se.

Populismo 
Este populismo egoísta, que atinge as pessoas e as nações, tem sido incentivado pelo discurso do poder e ao fortalecer um populismo que é sempre anti-sistema, isola o poder da competição democrática, estiola as alternativas e tende a perpetuar -se. São cada vez menos, mas cada vez mais poderosos
Uma das razões de sucesso desta imoralidade triunfante é que ela fornece uma panaceia para o ego ofendido de muita gente. Convencidos de que não podem mudar nada – não há alternativa –, o vizinho serve de bode expiatório. Num país (ou numa Europa) atingido por uma anomia profunda – resultado entre outras coisas do apagamento das diferenças históricas entre uma direita de interesses e uma esquerda que de há muito soçobrou aos mesmos interesses, e refiro-me aos socialistas cujo papel na castração da acção colectiva é enorme –, o que hoje se está a dividir, dificilmente se juntará. ..."

Ler o artigo completo aqui.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

A propósito das privatizações

Quando olho para a veia privatizadora dos últimos anos logo surgem as palavras sábias de Saramago. Agora que passam cinco anos sobre a sua morte (18 de Junho) é oportuno recordar a este propósito o texto de José Saramago sobre as privatizações, em Cadernos de Lanzarote – Diário III:

“Regressados de uma viagem à Argentina e Bolívia, os meus cunhados María e Javier trazem-me o jornal Clarín de 30 de Agosto. Aí vem a notícia de que vai ser apresentada ao Parlamento peruano uma nova lei de turismo que contempla a possibilidade de entregar a exploração de zonas arqueológicas importantes, como Machu Picchu e a cidadela pré-incaica de Chan-Chan, a empresas privadas, mediante concurso internacional. Clarin chama a isto “la loca carrera privatista de Fujimori”. O autor da proposta de lei é um tal Ricardo Marcenaro, presidente da Comissão de Turismo e telecomunicações e Infra-Estrutura do Congresso peruano, que alega o seguinte, sem precisar da tradução: “En vista de que el Estado no ha administrado bien nuestras zonas arqueológicas – qué pasaría si las otorgaramos a empresas especializadas en otros países con gran efectividad?
A mim parece-me bem. Privatize-se Machu Picchu, privatize-se Chan Chan, privatize-se a Capela Sistina, privatize-se o Pártenon, privatize-se o Nuno Gonçalves, privatize-se a Catedral de Chartres, privatize-se o Descimento da Cruz, de Antonio da Crestalcore, privatize-se o Pórtico da Glória de Santiago de Compostela, privatize-se a Cordilheira dos Andes, privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E, finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo… E, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos.”
Os Cadernos de Lanzarote são uma reunião dos diários de Saramago escritos, no período de 1993 a 1995, na ilha de Lanzarote (Canárias) onde viveu com sua mulher Pilar.

sexta-feira, 13 de março de 2015

As razões dos trabalhadores da função pública

Hoje os trabalhadores da função pública fizeram greve, com níveis de adesão muito elevados. As razões para fazer greve são muitas (nas últimas décadas nunca foram tantas). Se não as conhecermos, este excelente texto de Eugénio Rosa, recentemente publicado, evidencia algumas, com a vantagem de ainda nos ajudar na avaliação do tempo trágico em que vivemos:
"...Entre 31 de Dez.2011 e 31.Dez.2014, segundo “A Síntese Estatística do Emprego Público (SIEP)” da DGAEP do Ministério das Finanças, divulgada em Fevereiro de 2015, o numero de trabalhadores da Função Pública diminuiu em 71.365. Se adicionarmos os que saíram ou foram despedidos durante todo o ano de 2011 e os de 2015, este numero certamente terá já ultrapassado os 100.000. É evidente que esta enorme redução tem efeitos dramáticas na prestação de serviços à população, até porque ela atingiu profissionais que são fundamentais para o bom funcionamento dos serviços públicos (professores: -23.089; assistentes operacionais: -21.834; assistentes técnicos administrativos: -10.892; enfermeiros: -2.107; etc.). Os serviços públicos não funcionam sem trabalhadores, é uma verdade elementar que é muitas vezes esquecida. 
Segundo dados dos Relatórios dos Orçamentos do Estado, entre 2011 e 2015, as despesas com pessoal das Administrações Públicas (Central, Local e Regional) sofreram um corte de 27,9% (menos 4.680,3 milhões €), pois passaram de 16.793,2 milhões € para apenas 12.113,5 milhões €, enquanto os encargos (juros) com a divida pública, sofreram, no mesmo período, um aumento de 25,5%. Em quatro anos apenas, os portugueses pagarão aos credores (o maior é certamente a Alemanha) 37.834,1 milhões € só de juros. Uma parcela é paga à custa certamente dos enormes cortes feitos nas despesas com pessoal nas Administrações Públicas. Dizer, como alguns continuam a afirmar, que a divida é sustentável e que ela não constitui um obstáculo sério ao desenvolvimento do país e ao emprego é, no mínimo, cegueira e irresponsabilidade. 
Entre 2010 e 2015, segundo dados do Ministério das Finanças, o ganho médio liquido mensal real dos trabalhadores da Função Pública diminuiu em 18,2%, mas o ganho médio liquido real hora (valor hora) dos mesmos trabalhadores reduziu-se em 28,4%. E isto porque, durante o mesmo período, o seu horário de trabalho semanal aumentou de 35 horas para 40 horas, mantendo-se a mesma remuneração e cortes. Em 2015, os 655.000 trabalhadores da Função Pública farão 150,6 milhões de horas de trabalho gratuito, o que corresponde a 1.603,8 milhões € que não receberão. Mas não se pense que os cortes se limitaram apenas às despesas com pessoal. Entre 2011 e 2015, as despesas públicas com a educação e ensino superior, com a saúde (SNS) e com prestações sociais foram reduzidas pela “troika” e pelo governo em 2.057 milhões €. Estes cortes enormes neste tipo de despesas tiveram consequências dramáticas para a generalidade dos portugueses, nomeadamente para os de baixos rendimentos ou que perderam os rendimentos, por terem perdido o emprego..."

Texto completo aqui: http://www.eugeniorosa.com/Sites/eugeniorosa.com/Documentos/2015/6-2015-degradacaoAP.pdf

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Portugal, século XXI, Fevereiro 2015

É assim Portugal em Fevereiro de 2015!
Sem palavras...


(imagens do blogue o tempo das cerejas 2)
Com esta pérola do sr. Barreto (dita a um jornal da nossa praça):
"Tem de ser [Constituição] «limpa dos seus ónus ideológicos» («matérias laborais, de saúde, de educação, de segurança social, de organização do Estado, função das autarquias e justiça», está claro), tem de ser «limpa do método d’Hondt, do sistema proporcional, da ideia de que os deputados são eleitos por listas» e, no fundo, de tudo o que contenha de democrático. Do alto da sua arrogância, aponta um caminho para a revisão que não deve passar em claro. É que se a revisão não for feita a bem, «terá de ser feita a mal». Perante a incredulidade da jornalista, explica: «Um golpe de Estado, uma revolução, pronunciamentos ou assassinatos». Nem mais."
Este sr. já foi comunista, socialista, e agora parece mais um neo-fascista... sem mais comentários!

E para terminar em beleza, aquilo que já todos sabíamos, o sr. Costa no seu melhor...perdão! no seu pior...necessariamente!

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Uma questão que ultrapassa a má-fé

Hoje a questão aqui trazida é para mim inexplicável, absolutamente revoltante. Não vi muito escrito sobre isto, que no mínimo devia ser motivo de indignação geral. O texto de José Pacheco Pereira, que reproduzo em parte, coloca "o dedo na ferida" - o roubo aos trabalhadores do Metro de Lisboa com reformas antecipadas é um abuso e representa uma quebra de confiança nas instituições e que ultrapassa em muito a simples má-fé.

"Se há causa a que eu adiro sem reservas é a dos trabalhadores com reformas antecipadas do Metro de Lisboa, que viram as suas reformas cortadas unilateralmente do complemento  que a empresa lhes atribuiu para os incentivar a reformar-se. Não se espantem, parece uma causa laboral como as outras, mas é mais do que as outras. É diferente.

Não é uma questão de “direitos adquiridos”, embora também o seja. Não é uma questão do cumprimento dos contratos livremente feitos, do sacrossanto princípio jurídico do pacta sunt servanda, embora também o seja. Não é questão de justiça social, embora também o seja. Não é sequer uma questão de austeridade, de repartição de sacrifícios, de acabar com uma situação de privilégios numa empresa pública. É uma causa cívica em que está em jogo um princípio moral que deveria ser a base da nossa sociedade democrática: a boa-fé. 

Um dos piores dos meus anátemas contra este Governo é exactamente a destruição dessa boa-fé, como se fosse o acto mais normal do mundo, como quem respira, sem pensar duas vezes, até sem atenção, nem sequer preocupação pelos efeitos não apenas nas vítimas dos seus actos, mas no tecido social e nos laços que unem as pessoas numa sociedade civilizada e numa democracia em que todos somos proprietários e penhores do mesmo poder. Este à-vontade e esta indiferença pelo que é e significa a boa-fé vai ficar como uma mancha para o presente e para o futuro no tónus moral destes tempos. ..."
Artigo completo aqui (Abrupto) 

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Benefícios Fiscais

relatório do Tribunal de Contas (TC) sobre a quantificação dos benefícios fiscais passou relativamente despercebido. Como sempre, o Ladrão de Bicicletas estava atento e João Ramos de Almeida escreveu, a este propósito, o seguinte:

"...Nela, o TC reafirma tudo o que se escrevera, em finais de 2013, no parecer à Conta Geral de Estado de 2012, quanto aos benefícios fiscais em IRC, nomeadamente a novidade explosiva que encavacou Passos Coelho, Maria Luís Albuquerque e Paulo Núncio a ponto de, sem convicção, a negarem no Parlamento.  
Ou seja, o Governo omitiu a concessão de 1,045 mil milhões de euros em benefícios fiscais às SGPS, sociedades de topo dos grupos económicos. Esse escamoteamento de informação – afirma o TC – fez-se ao arrepio da Constituição e da Lei de Enquadramento Orçamental e permitiu afirmar que tinha havido, sim, uma descida dos benefícios. Algo que surge na sequência do que o secretário de Estado Paulo Núncio despachou sobre dupla tributação em IRC, em finais de 2011: um grupo económico que tivesse pago nem que fosse euro a montante isentava milhões de euros em dividendos. 
A questão é importante. 
Primeiro, pela natureza da política económica seguida, tida como inelutável. Esses mil milhões de euros foram dados no mesmo ano em que, entre outras medidas:
1) foi lançado um vasto e pesado pacote de austeridade
2) reviu-se o Código do Trabalho e os trabalhadores perderam anualmente para as empresas cerca de 3 mil milhões de euros – com o fim de 4 feriados e de 3 dias de férias, cortes para metade na retribuição ao trabalho extraordinário e fim do descanso compensatório por esse trabalho extraordinário;
3) Foi aprovada 3º versão do perdão fiscal a 3,4 mil milhões de euros saídos fraudulentamente do país. Uma amnistia de que beneficiou Ricardo Salgado; 
4) modificou-se o regime de Residentes Não Habituais que concede por dez anos desde uma taxa fixa de 20% de IRS até mesmo a isenção total para profissionais que mudem a residência fiscal para Portugal. Inclui artistas, professores, médicos, mas também consultores fiscais, investidores, administradores;
5) manteve-se em 2012 um pagamento às parcerias público-privadas de 1067 milhões de euros quando, possivelmente, sairia mais barato, a longo prazo, nacionalizar as empresas beneficiárias dessas parcerias e indemnizar pela apropriação pública.
Mas o relatório revela ainda a elevada concentração dos benefícios: mais de metade de 69% dos benefícios fiscais quantificados foram dados aos dez maiores beneficiários. Algo que o TC aconselha a que seja revisto. A última reavaliação foi em 2005.
E em terceiro lugar, o relatório é a prova da opacidade das contas públicas. Além daqueles, benefícios fiscais ficaram por quantificar. Foi o caso do regime especial dos grupos de sociedades (em 2011 foram 583 milhões de euros) Entre 1997 e 2011, o valor da matéria colectável em IRC subiu 10 mil milhões de euros, mas o valor do IRC liquidado manteve-se sensivelmente. Por isso, o TC recomenda desde 2010 a revisão dos benefícios fiscais por dedução à matéria colectável. Até hoje... "
Ler o post completo aqui.

sábado, 27 de setembro de 2014

Mas que caminho é este?

Muitas vezes levanta-se esta pergunta: que caminho é este? E quando reflectimos sobre os dias de hoje, as dúvidas apenas agudizam. Vejamos dois exemplos:



O ESTADO EM REGIME DE CONCESSÃO, hoje no blogue Ladrão de Bicicletas, por José M. Castro Caldas (sublinhados meus):

"Tive há dias de revalidar a carta de condução. Disseram-me que podia faze-lo em Lisboa na Direção Regional de Mobilidade e Transportes de Lisboa e Vale do Tejo, pagando uma taxa de 30 euros, mas que a afluência a esse serviço era de tal ordem que certamente iria perder um dia de trabalho. Além disso, teria de perder pelo menos mais meio dia no Centro de Saúde arranjar para pedir um atestado médico. Em alternativa, numa escola de condução a coisa era rápida e ainda por cima dispensava uma visita ao centro de saúde porque lá encontraria um médico que me passava o atestado. O pior é que teria de pagar 50 euros pela nova carta e 20 € pelo atestado.
Mesmo assim fui à escola de condução. Como prometido o serviço era eficiente. Uma funcionária utilizou um terminal de computador ligado ao sistema do IMT (Instituto de Mobilidade e dos Transportes) para inserir os meus dados, fotografia e tudo. Depois encaminhou-me para a sala onde estava uma médica que me fez olhar para umas letrinhas que eu não consegui ler porque ando a precisar de óculos novos. Por fim, a primeira funcionária munida já do atestado médico que eu acabara de comprar, imprimiu um documento com o logo do IMT e deu-mo. Olhando para o ecran do computador vi a minha nova carta. Ao IMT bastava agora imprimir o documento e mandar-mo para casa. O envio, disse me a funcionária, iria ser demorado, mas não havia problema porque eu agora tinha um papelinho provisório com o logo do IMT para mostrar aos polícias.
Fui para casa a pensar nesta maravilha. Tratei em uma hora o que me teria consumido um dia. Imaginei o que outros, que passem por uma experiência como esta, podem concluir.  Concessão do serviço público a privados? Boa ideia. Ganham os privados, ganha o consumidor, poupa o Estado. Por que não concessionar mais? Os balcões da Segurança Social, por exemplo. Quer reformar-se? Não consegue fazer as contas complicadas? Não entende as entrelinhas da legislação? O que lhe convém mais? Além do preenchimento da papelada o serviço oferece-lhe algum aconselhamento especializado. Os centros de desemprego. Está desempregado? O que deve fazer? O serviço concessionado trata da papelada e dá-lhe bons conselhos, por ventura mesmo algum apoio psicológico. As repartições de finanças. Quer fazer a declaração às finanças? Ah, pois, já existem serviços privados especializados para isso. Paga, mas pode poupar muito.
Tudo muito bem.  Passamos a recorrer a todos estes serviços em regime de concessão. O único problema é que temos de pagar tudo isto depois de já termos pago impostos. Resultado: não tarda estamos a bradar contra impostos que não dão nada em troca.
Entretanto, o Estado em concessão vai florescendo, ao mesmo tempo que o outro Estado fecha balcões de atendimento e definha. A distância a percorrer para aceder aos balcões sobreviventes do outro Estado aumenta, assim como as filas de espera de quem não pode pagar a renda da concessão.
Isto não é ficção. Também não é o Estado Mínimo. É um Estado grande, mas em regime de concessão. Como nos aeroportos. Uma fila rápida para os passageiros da business class, outra, demorada, para a maralha." 
Texto original aqui.

Dois excelentes textos, diferentes mas que evidenciam o estado a que isto chegou. Não, não vivemos acima das possibilidades, apenas construímos e vivemos com as nossas possibilidades, no seio de uma comunidade co-responsável de Estados Europeus, mas agora vivemos abaixo das necessidades e, pior, querem impor-nos que isso continue durante anos e anos a fio. Será esse o caminho?

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Onde pára o Equinócio?

A vertigem do tempo que vivemos coloca-nos, a cada momento, perante barreiras, buracos, incertezas, desafios, medos...dificuldades acrescidas ou, tão só, a necessidade de compreensão das dimensões do tempo. Até o clima não ajuda. Equilíbrios, procuram-se!

As vozes, essas deixam-nos tantas vezes perplexos, até ainda mais confusos!


Neste quase Outono de um tempo estranho, só uma escolha musical apropriada, pela mão sempre certeira de Nuno Serra (Ladrões de Bicicletas):

We're sailing on a strange boat, heading for a strange shore
We're sailing on a strange sea, blown by a strange wind
We're living in a strange time, working for a strange goal


Waterboys, ao vivo, em 2000, em Colónia, na Alemanha

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

2 - Outros "setembros"

Os "setembros" de hoje  começam na saúde e terminam com música.

Celebram-se 35 anos sobre a publicação da Lei nº 56/79, de 15 de Setembro, através da qual foi consagrada uma rede serviços prestadores globais de saúde para toda a população independentemente da sua condição económica e social, ou seja, estava formalmente criado o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e o papel do Estado na efectiva prevenção e protecção da saúde de todos os portugueses, aliás como já estava claramente consagrado na CRP de 1976. O caminho percorrido foi imenso e com resultados grandiosos, mas ainda com muitas falhas e com retrocessos nos últimos anos. Exige-se aos governantes de agora que em cada momento saibam defender o SNS e coloquem também a sua estratégia politica na ampliação deste serviço essencial para a vida de todos nós. Neste dia de significado tão profundo para o sistema de saúde no Portugal democrático assinala-se, também, o anúncio da descoberta da penicilina por Alexander Fleming, em 1928, acontecimento marcante para a ciência e para a humanidade. Que feliz coincidência.

É um dia para a poesia pois celebra-se igualmente o dia do nascimento, em 1765, do grande poeta Bocage, por isso é feriado municipal em Setúbal, a sua cidade natal. 

Contudo, neste dia fica sempre aquele "amargo", não só porque foi neste dia, em 2008, que se verificou a declaração de falência do banco Lehamn Brothers norte-americano, considerado o ápice da crise financeira que ainda vivemos, mas porque neste mesmo dia falecia na sua casa em Londres, aos 65 anos, Richard Wright, músico dos Pink Floyd. Ficam aqui dois momentos diferentes, incluindo uma actuação ao vivo em 2006, que evocam a criação de um grande músico no álbum conceptual Dark Side of The Moon (1973).




Claro que cabe neste post relembrar essa grandiosa manifestação de 2012 que povoou Lisboa e o País de gente. Vale a pena ler o que os promotores escreveram dois anos depois: 


Nem sempre a pureza destes momentos é suficiente para alterar, inverter ou atalhar caminho!

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

"...entre o bem e o mal vai a distância de um banco..."

Como será o desfecho da história do BES? previsivelmente com falências, cortes, desemprego, mais impostos, etc, tudo a bem da nação e a favor do bom contribuinte e contra o mau. Tudo visto, o elo mais fraco é que sofre!
Autor: Luís Afonso (retirado do blogue http://griloescrevente.blogspot.pt/)
Neste marasmo de opiniões comentaristas de idiotas pseudo gestores, economistas e outros que tais, sobressaem inevitavelmente os humoristas, que nos vão dizendo as verdades e com piada, mesmo que por vezes nos doa. Na excelência da sua escrita, João Quadros mostra-nos isso mesmo: 

"Como estão os estimados leitores? Espero que bem; porque entre o bem e o mal vai a distância de um banco. Comecei as férias como um reles mortal, e acabei como dono disto tudo. Agora sim, estou a viver acima das minhas possibilidades: eu não quero ser dono do antigo BES...
...Enquanto eu, com postura de PM, apanhava sol na praia, a situação teve desenvolvimentos. Carlos Costa, o governador do Banco de Portugal, veio garantir que não havia perigo de falência porque o "BES está sólido" e "tem uma almofada financeira que garante a estabilidade do banco". O mesmo Carlos, mais tarde, viria confessar que estava a vigiar um banco de esperma que, afinal, era só condicionador para cabelo.
José Gomes Ferreira, o homem com um programa de governo, veio sossegar os espíritos e afirmou, na SIC Notícias, que o BES estava sólido e que se ele tivesse dinheiro investia tudo em acções do BES (estavam a 0,45 nesse dia). Foi pena não o ter feito e é pena que ainda tenha emprego. O meu quentinho é pensar que a malta que compra o livro do José Gomes Ferreira é bem capaz de ter seguido o conselho e ter gasto tudo em acções do BES. Aquele casal que foi à FNAC, de propósito, para pedir um autógrafo ao Zé Gomes, anda agora a ver se o encontra para lhe dar uma tareia porque seguiu o conselho do mestre e investiu as poupanças da filha em acções do BES...
...Seja como for, não arriscando, vou pôr o meu dinheiro todo no Espírito Santo mau, porque os bons acabam sempre por ser comidos."

 Ler o artigo completo aqui: João Quadros_opiniao

sábado, 2 de agosto de 2014

Aquilo que eu não fiz

Nestes dias de um verão quente nas maldades que vamos sabendo nos fizeram e continuam a fazer é tempo de ouvir uma canção de intervenção dos nossos dias:


Eu não quero pagar por aquilo que eu não fiz
Não me fazem ver que a luta é pelo meu país
Eu não quero pagar depois de tudo o que dei
Não me fazem ver que fui eu que errei

Não fui eu que gastei
Mais do que era para mim
Não fui eu que tirei
Não fui eu que comi

Não fui eu que comprei
Não fui eu que escondi
Quando estavam a olhar
Não fui eu que fugi

Não é essa a razão
Para me querem moldar
Porque eu não me escolhi
Para a fila do pão
Este barco afundou
Houve alguém que o cegou
Não fui eu que não vi

Eu não quero pagar por aquilo que eu não fiz
Não me fazem ver que a luta é pelo meu país
Eu não quero pagar depois de tudo o que dei
Não me fazem ver que fui eu que errei

Talvez do que não sei
Talvez do que não vi
Foi de mão para mão
Mas não passou por mim
E perdeu-se a razão
Todo o bom se feriu
foi mesquinha a canção
Desse amor a fingir
Não me falem do fim
Se o caminho é mentir
Se quiseram entrar
Não souberam sair
Não fui eu quem falhou
Não fui eu quem cegou
Já não sabem sair

Meu sonho é de armas e mar
Minha força é navegar
Meu Norte em contraluz

Meu fado é vento que leva e conduz.

Tiago Bettencout -Aquilo que eu não fiz

quinta-feira, 24 de julho de 2014

24

Vinte e quatro (24) é o número de hoje. Não, não vou dissecar sobre as datas importantes da História de Portugal, que é o caso do 24 de Julho de 1833 (já falei disso ontem), ou dos aniversários de políticos, jogadores e treinadores de futebol, cantores, pilotos, ou outros (todavia Parabéns para todos eles). Também não vou desenvolver um texto sobre Condeixa-a-Nova ou Pedrogão Grande, simpáticas localidades que hoje celebram o seu feriado municipal (mas fica a sugestão para que na próxima oportunidade visitem estes dois municípios).
O número 24 que apresento é muito claro, diz tão simplesmente respeito à perda média do poder de compra dos funcionários públicos desde 2010: A REMUNERAÇÃO TOTAL LIQUIDA NOMINAL NA FUNÇÃO PUBLICA JÁ É APENAS DE 976€, E O SEU PODER DE COMPRA É JÁ É INFERIOR AO DE 2010 EM 24% (estudo completo disponível AQUI).

(fonte:www.eugeniorosa.com)
De facto este número retrata uma evidência, que apenas clarifica aquilo que há muito se afirma, ou seja, a austeridade atingiu fortemente todos os trabalhadores, incluindo os do sector público. Sabemos que, de forma enganosa, alguns comentaristas da dita vaga neo-liberal, sempre negam esta evidência, mas felizmente que os números não mentem, apesar de todos os vícios que lhe queiram atribuir.
Como mostra o estudo do economista Eugénio Rosa, “a remuneração total líquida média nominal dos trabalhadores da Função Pública era, em 2014, já inferior à de 2010 em 18,2%, e o seu poder de compra é já inferior ao de 2010 em 24,1%. E é sobre este poder de compra reduzido que o governo pretende fazer ainda mais cortes, atacando agora os suplementos.”, os quais já são, na generalidade, reduzidos.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Saídas...limpinhas!

Ao ver ontem o flash televisivo da intervenção do primeiro ministro, a propósito de saídas limpas, apenas me ocorreram frases futebolísticas - limpinho, limpinho versus sujinho, sujinho e outras da mesma génese; mas hoje, depois de constatar a habitual ladainha de opiniões sobre este assunto, deu-me a pancada das canções e lembrei-me de um punhado de grandes letras e músicas, como esta que se segue: