domingo, 20 de março de 2016

A Primavera começou

Hoje, 20 de Março, ocorreu o Equinócio da Primavera, precisamente pelas 04h30m, ou seja, nesse instante começou a Primavera no Hemisfério Norte, a qual prolongar-se-à até ao próximo Solstício (por 92,79 dias) que ocorre no dia 20 de Junho às 23h34m.
 

“Equinócio: instante em que o Sol, no seu movimento anual aparente, passa no equador celeste. A palavra de origem latina aequinoctium agrega o nominativo aequus (igual) com o substantivo noctium, genitivo plural de nox (noite). Assim significa “noite igual” (ao dia), pois nestas datas dia e noite têm igual duração, tal é a ideia que permeia a sociedade.” Fonte: http://oal.ul.pt/equinocio-da-primavera-2016/

sexta-feira, 18 de março de 2016

Namoro

E hoje uma belíssima música,



Mandei-lhe uma carta em papel perfumado
e com letra bonita eu disse, ela tinha
um sorriso luminoso tão triste tão gaiato
como o sol de Novembro brincando de artista
nas acácias floridas, na fímbria do mar

Sua pele macia era sumauma
sua pele macia, cheirando a rosas
seus seios laranja, laranja do Loje
eu mandei-lhe essa carta
e ela não disse que não

Mandei-lhe um cartão
que o amigo maninho tipografou
"por ti sofre o meu coração"
num canto "sim", noutro canto "não"
e ela o canto do "não" dobrou

Mandei-lhe um recado pela Zefa do sete
pedindo e rogando de joelhos na chão
pela Senhora do Cabo, pela Sta Efigénia
me desse a ventura do seu namoro
e ela disse que não

Mandei à Vó Xica, quimbanda da fama
a areia da marca que o seu pé deixou
para que fizesse um feitiço bem forte e seguro
e dele nascesse um amor como o meu
e o feitiço falhou

Andei barbado, sujo e descalço
como um monangamba procuraram por mim
não viu, não viu, não viu o Benjamim
e perdido me deram no morro da Samba

Para me distrair levaram-me ao baile
do Sr. Januário, mas ela lá estava
num canto a rir, contando o meu caso
às moças mais lindas do bairro operário

Tocaram a rumba e dancei com ela
e num passo maluco voamos na sala
qual uma estrela riscando o céu
e a malta gritou: "Aí Benjamim!"

Olheia nos olhos, sorriu para mim
pedi-lhe um beijo, la la la la la
e ela disse que sim
e ela disse que sim

quarta-feira, 16 de março de 2016

16 de Março de 1974 ou Abril a nascer!

«A imagem que ficou na memória dos portugueses sobre a intentona tentada pelo Regimento de Infantaria N. º 5 das Caldas da Rainha no dia 16 de Março de 1974 foi a de uma coluna militar que ficou parada às portas de Lisboa. Ilustrava perfeitamente o golpe militar frustrado, que só teria o seu epílogo a 25 de Abril, e que logo deu origem a uma anedota bastante popular. A de que os camiões com 200 militares que iriam ocupar o Aeroporto de Lisboa teriam parado às portas de Lisboa porque o então presidente da República, Américo Tomás, ameaçou que o primeiro a chegar à capital seria obrigado a casar com a sua filha. (...)

A anteceder o 16 de Março tinham- se verificado mais dois factos políticos que fizeram o presidente do Conselho hesitar: a 22 de fevereiro dera- se o lançamento do livro Portugal e o Futuro, do general Spínola, que defendia uma solução política e não militar para a guerra no Ultramar; a 14 de março, o Governo demitira os generais Spínola e Costa Gomes dos cargos de chefe e vice- chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, devido à ausência no evento em que as chefias militares se solidarizavam com Caetano, numa cerimónia definida como representativa da “Brigada do reumático”.
A demissão dos dois generais espoletou a Intentona das Caldas e criou esse acto militar falhado.»

Dias depois, o "padrinho" explicava-se assim:


quarta-feira, 9 de março de 2016

Marafado de Boliqueime, já chega!

«O seu adeus a Belém marca o fim de uma era e, muito provavelmente, o resto de qualquer influência política no futuro do país que desenhou há muito.

Afinal este Portugal que hoje temos, no melhor e no pior, é uma herança sua. Cavaco Silva sempre foi um crente, mas nunca um devoto. Aliou a crença nas privatizações com o papel determinante do Estado como motor da transformação de Portugal. Trouxe os homens do país real para o centro da política, delimitando o poder da célebre linha Estoril-Cascais, que nunca lhe perdoou. Teve sempre demasiadas certezas e poucas dúvidas e foi, por isso, que muitas vezes se perdeu demasiado atrás de um biombo desnecessário. Não surpreende por isso que o homem que teve os portugueses a seus pés abandone Belém sem uma exclamação de agradecimento. Cavaco perdeu-se no seu tempo e talvez tenha deixado de perceber aquele que se foi construindo longe dos muros de Belém. Esta sua solidão final, ainda mais vincada por estes dias em que Marcelo já parecia ser o PR, mostra que a eternidade, na política portuguesa, é efémera. A sua missão acabou há algum tempo. Mas agora é oficial.»
Fernando Sobral

Fonte: Público
«Hoje é o último dia de mandato de Cavaco Silva enquanto Presidente da República. Hoje é um dia bom.
Poderia dedicar linhas sem conta aos 10 anos em que Cavaco esteve à frente do Governo (1985-1995): a suposta vaga modernizadora, que pôs a economia portuguesa nas mãos da finança e da construção, e que destruiu grande parte do aparelho produtivo nacional; o autoritarismo presunçoso, procurando disfarçar a estreiteza de vistas; ou os valores conservadores e atávicos, que toleraram o oportunismo, o novo-riquismo e o tráfico de influências, mas para quem a legalização do aborto ou o reconhecimento das relações entre pessoas do mesmo sexo eram assuntos do diabo.
Não preciso de ir tão longe porque os últimos dez anos dão pano para mangas. O primeiro mandato de Cavaco enquanto PR foi marcado por aquelas relevantíssimas e esclarecedoras intervenções relacionadas com o Estatuto dos Açores, as escutas a Belém e o casamento homossexual. O segundo mandato por uma crescente colagem às posições do governo PSD/CDS, chegando ao cúmulo de alimentar um ambiente de suspeita em torno do processo de formação do governo agora em funções.
Quanto a coerência, é o que se sabe. Enquanto o PS foi governo, Cavaco afirmava que "há limites ao sacrifício que se pode pedir às pessoas". Quando o governo mudou, todos os esforços para satisfazer as exigências de austeridade passaram a ser adequadas.
Aquele que deveria ser o garante máximo da soberania nacional assistiu não só impávido mas até entusiasmado à capitulação do país – apelando, em 2014, a que Portugal se deixasse ficar sob tutela externa durante mais algum tempo (ver Roteiros VIII). 
Já em Fevereiro de 2015, quando a Grécia estava a ser sujeita a uma chantagem sem precedentes das instituições europeias, Cavaco não encontrou melhores palavras do que lembrar os empréstimos portugueses à Grécia, revelando a essência mesquinha,vingativa e preconceituosa da pessoa que sempre foi.
Cavaco Silva poderia ter aproveitado a sua posição para fazer alguma pedagogia sobre a situação do país. Em vez disso, tentou sempre influenciar a acção executiva – de resto, sem eficácia – participando na construção do clima de medo e de chantagem a que fomos sujeitos enquanto povo.
Neste momento seria fácil passar uma esponja sobre o assunto e não pensar mais nesta nódoa que manchou a democracia portuguesa. Prefiro não esquecer. Espero, sinceramente, nunca mais ter de conviver com um Presidente da República assim.
Adeus Cavaco. 
»
Ricardo Paes Mamede

terça-feira, 8 de março de 2016

Dia Internacional da Mulher


Em 1975, foi designado pela ONU como o Ano Internacional da Mulher e, em Dezembro de 1977, o Dia Internacional da Mulher foi adoptado pelas Nações Unidas, para lembrar as conquistas sociais, políticas e económicas das mulheres.

Duas músicas diferentes para assinalar a data, por Kate Bush e Carlos Santana,






sexta-feira, 4 de março de 2016

a ponte caiu...faz 15 anos

"Faz hoje 15 anos que caiu a ponte de Entre-os-Rios. O processo acabou sem nenhum arguido condenado em tribunal. A queda da ponte causou 59 mortes e levou à demissão de vários responsáveis, incluindo o então ministro do Equipamento Social , Jorge Coelho"

"No dia 4 de março de 2001, por volta das 21 horas e 10 minutos, o desabamento do quarto pilar da Ponte Hintze Ribeiro provoca a queda parcial da estrutura do tabuleiro da ponte. Um autocarro com 53 pessoas a bordo e três viaturas ligeiras, com seis ocupantes, são atirados para as águas turbulentas do rio Douro. Cinquenta e nove pessoas perdem a vida”. A descrição é de Pedro Araújo, sociólogo, autor da tese de doutoramento “Um Estado longe de mais. Para uma sociologia com desastres”, premiada como a melhor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra no ano letivo 2013/14. O parágrafo descreve a tragédia com o rigor cirúrgico que se exige de um académico. Mas falta dizer tudo o que lá se passou...
...“Tenho a certeza de que algo como Entre-os-Rios não voltará a acontecer. O Estado aprendeu. Durante a crise houve uma tentativa de aproximação às vítimas, mas a configuração do Estado português não permitiu ir mais longe e, quando as pessoas começaram a interpelar, foi preciso sair rapidamente da cena da crise e as vítimas perderam o estatuto de exceção. Daqui para a frente, tudo será resolvido caso a caso. O Estado profissionalizou-se”, conclui o sociólogo José Manuel Mendes.
Passados 15 anos, a Câmara Municipal de Castelo de Paiva não assinala a data. Jorge Coelho, o ministro responsável pelas infraestruturas do país na altura, foi convidado a estar presente na cerimónia que a Associação dos Familiares das Vítimas realiza hoje. Nunca foi àquela margem. Ficou para a história como o único responsável político a demitir-se na sequência da queda da ponte. Foi dele a promessa de que a “culpa não iria morrer solteira”. Já agradeceu, mas ainda não é desta que lá vai. Os familiares vão rezar numa missa solene em Travanca, concelho de Cinfães, e, à noite, flores serão lançadas ao Douro.Última cena
No interior do país, no alto da encruzilhada, um anjo dourado observa o leito do rio. Nada pode ver, é uma estátua. O país já não olha, passa rápido ao lado na estrada de alcatrão. Quinze anos depois do estrondo, o que está no fundo do Douro? Alguém? 36 fantasmas? Um ministro? Portugal? Areia.
Texto original na edição do EXPRESSO de 27 fevereiro 2016