Hoje, 20 de Março, ocorreu o Equinócio da
Primavera, precisamente pelas 04h30m, ou seja, nesse instante começou
a Primavera no Hemisfério Norte, a qual prolongar-se-à até ao próximo Solstício (por
92,79 dias) que ocorre no dia 20 de Junho às 23h34m.
“Equinócio: instante em que o Sol, no
seu movimento anual aparente, passa no equador celeste. A palavra de
origem latina aequinoctium agrega o nominativo aequus (igual) com
o substantivo noctium, genitivo plural de nox (noite).
Assim significa “noite igual” (ao dia), pois nestas datas dia e noite têm igual
duração, tal é a ideia que permeia a sociedade.” Fonte: http://oal.ul.pt/equinocio-da-primavera-2016/
Mandei-lhe uma carta em papel perfumado e com letra bonita eu disse, ela tinha um sorriso luminoso tão triste tão gaiato como o sol de Novembro brincando de artista nas acácias floridas, na fímbria do mar
Sua pele macia era sumauma sua pele macia, cheirando a rosas seus seios laranja, laranja do Loje eu mandei-lhe essa carta e ela não disse que não
Mandei-lhe um cartão que o amigo maninho tipografou "por ti sofre o meu coração" num canto "sim", noutro canto "não" e ela o canto do "não" dobrou
Mandei-lhe um recado pela Zefa do sete pedindo e rogando de joelhos na chão pela Senhora do Cabo, pela Sta Efigénia me desse a ventura do seu namoro e ela disse que não
Mandei à Vó Xica, quimbanda da fama a areia da marca que o seu pé deixou para que fizesse um feitiço bem forte e seguro e dele nascesse um amor como o meu e o feitiço falhou
Andei barbado, sujo e descalço como um monangamba procuraram por mim não viu, não viu, não viu o Benjamim e perdido me deram no morro da Samba
Para me distrair levaram-me ao baile do Sr. Januário, mas ela lá estava num canto a rir, contando o meu caso às moças mais lindas do bairro operário
Tocaram a rumba e dancei com ela e num passo maluco voamos na sala qual uma estrela riscando o céu e a malta gritou: "Aí Benjamim!"
Olheia nos olhos, sorriu para mim pedi-lhe um beijo, la la la la la e ela disse que sim e ela disse que sim
«A imagem que ficou na
memória dos portugueses sobre a intentona tentada pelo Regimento de Infantaria
N. º 5 das Caldas da Rainha no dia 16 de Março de 1974 foi a de uma coluna
militar que ficou parada às portas de Lisboa. Ilustrava perfeitamente o golpe
militar frustrado, que só teria o seu epílogo a 25 de Abril, e que logo deu
origem a uma anedota bastante popular. A de que os camiões com 200 militares
que iriam ocupar o Aeroporto de Lisboa teriam parado às portas de Lisboa porque
o então presidente da República, Américo Tomás, ameaçou que o primeiro a chegar
à capital seria obrigado a casar com a sua filha. (...)
A anteceder o 16 de Março
tinham- se verificado mais dois factos políticos que fizeram o presidente do
Conselho hesitar: a 22 de fevereiro dera- se o lançamento do livro Portugal e o
Futuro, do general Spínola, que defendia uma solução política e não militar
para a guerra no Ultramar; a 14 de março, o Governo demitira os generais
Spínola e Costa Gomes dos cargos de chefe e vice- chefe de Estado-Maior General
das Forças Armadas, devido à ausência no evento em que as chefias militares se
solidarizavam com Caetano, numa cerimónia definida como representativa da
“Brigada do reumático”. A demissão dos dois generais espoletou a
Intentona das Caldas e criou esse acto militar falhado.»
«O seu adeus a Belém marca o fim de uma era e, muito provavelmente, o resto de qualquer influência política no futuro do país que desenhou há muito.
Afinal este Portugal que hoje temos, no melhor e no pior, é uma herança sua. Cavaco Silva sempre foi um crente, mas nunca um devoto. Aliou a crença nas privatizações com o papel determinante do Estado como motor da transformação de Portugal. Trouxe os homens do país real para o centro da política, delimitando o poder da célebre linha Estoril-Cascais, que nunca lhe perdoou. Teve sempre demasiadas certezas e poucas dúvidas e foi, por isso, que muitas vezes se perdeu demasiado atrás de um biombo desnecessário. Não surpreende por isso que o homem que teve os portugueses a seus pés abandone Belém sem uma exclamação de agradecimento. Cavaco perdeu-se no seu tempo e talvez tenha deixado de perceber aquele que se foi construindo longe dos muros de Belém. Esta sua solidão final, ainda mais vincada por estes dias em que Marcelo já parecia ser o PR, mostra que a eternidade, na política portuguesa, é efémera. A sua missão acabou há algum tempo. Mas agora é oficial.»
Fernando Sobral
Fonte: Público
«Hoje é o último dia de mandato de Cavaco Silva enquanto Presidente da República. Hoje é um dia bom.
Poderia dedicar linhas sem conta aos 10 anos em que Cavaco esteve à frente do Governo (1985-1995): a suposta vaga modernizadora, que pôs a economia portuguesa nas mãos da finança e da construção, e que destruiu grande parte do aparelho produtivo nacional; o autoritarismo presunçoso, procurando disfarçar a estreiteza de vistas; ou os valores conservadores e atávicos, que toleraram o oportunismo, o novo-riquismo e o tráfico de influências, mas para quem a legalização do aborto ou o reconhecimento das relações entre pessoas do mesmo sexo eram assuntos do diabo. Não preciso de ir tão longe porque os últimos dez anos dão pano para mangas. O primeiro mandato de Cavaco enquanto PR foi marcado por aquelas relevantíssimas e esclarecedoras intervenções relacionadas com o Estatuto dos Açores, as escutas a Belém e o casamento homossexual. O segundo mandato por uma crescente colagem às posições do governo PSD/CDS, chegando ao cúmulo de alimentar um ambiente de suspeita em torno do processo de formação do governo agora em funções. Quanto a coerência, é o que se sabe. Enquanto o PS foi governo, Cavaco afirmava que "há limites ao sacrifício que se pode pedir às pessoas". Quando o governo mudou, todos os esforços para satisfazer as exigências de austeridade passaram a ser adequadas. Aquele que deveria ser o garante máximo da soberania nacional assistiu não só impávido mas até entusiasmado à capitulação do país – apelando, em 2014, a que Portugal se deixasse ficar sob tutela externa durante mais algum tempo (ver Roteiros VIII). Já em Fevereiro de 2015, quando a Grécia estava a ser sujeita a uma chantagem sem precedentes das instituições europeias, Cavaco não encontrou melhores palavras do que lembrar os empréstimos portugueses à Grécia, revelando a essência mesquinha,vingativa e preconceituosa da pessoa que sempre foi. Cavaco Silva poderia ter aproveitado a sua posição para fazer alguma pedagogia sobre a situação do país. Em vez disso, tentou sempre influenciar a acção executiva – de resto, sem eficácia – participando na construção do clima de medo e de chantagem a que fomos sujeitos enquanto povo. Neste momento seria fácil passar uma esponja sobre o assunto e não pensar mais nesta nódoa que manchou a democracia portuguesa. Prefiro não esquecer. Espero, sinceramente, nunca mais ter de conviver com um Presidente da República assim. Adeus Cavaco. »
Em 1975, foi designado pela ONU como o Ano Internacional da Mulher e, em Dezembro de 1977, o Dia Internacional da Mulher foi adoptado pelas Nações Unidas, para lembrar as conquistas sociais, políticas e económicas das mulheres.
Duas músicas diferentes para assinalar a data, por Kate Bush e Carlos Santana,
"Faz hoje 15 anos que caiu a ponte de Entre-os-Rios. O processo acabou sem nenhum arguido condenado em tribunal. A queda da ponte causou 59 mortes e levou à demissão de vários responsáveis, incluindo o então ministro do Equipamento Social , Jorge Coelho"
"No dia 4 de março de 2001, por volta das 21 horas e 10 minutos, o desabamento do quarto pilar da Ponte Hintze Ribeiro provoca a queda parcial da estrutura do tabuleiro da ponte. Um autocarro com 53 pessoas a bordo e três viaturas ligeiras, com seis ocupantes, são atirados para as águas turbulentas do rio Douro. Cinquenta e nove pessoas perdem a vida”. A descrição é de Pedro Araújo, sociólogo, autor da tese de doutoramento “Um Estado longe de mais. Para uma sociologia com desastres”, premiada como a melhor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra no ano letivo 2013/14. O parágrafo descreve a tragédia com o rigor cirúrgico que se exige de um académico. Mas falta dizer tudo o que lá se passou...
...“Tenho a certeza de que algo como Entre-os-Rios não voltará a acontecer. O Estado aprendeu. Durante a crise houve uma tentativa de aproximação às vítimas, mas a configuração do Estado português não permitiu ir mais longe e, quando as pessoas começaram a interpelar, foi preciso sair rapidamente da cena da crise e as vítimas perderam o estatuto de exceção. Daqui para a frente, tudo será resolvido caso a caso. O Estado profissionalizou-se”, conclui o sociólogo José Manuel Mendes.
Passados 15 anos, a Câmara Municipal de Castelo de Paiva não assinala a data. Jorge Coelho, o ministro responsável pelas infraestruturas do país na altura, foi convidado a estar presente na cerimónia que a Associação dos Familiares das Vítimas realiza hoje. Nunca foi àquela margem. Ficou para a história como o único responsável político a demitir-se na sequência da queda da ponte. Foi dele a promessa de que a “culpa não iria morrer solteira”. Já agradeceu, mas ainda não é desta que lá vai. Os familiares vão rezar numa missa solene em Travanca, concelho de Cinfães, e, à noite, flores serão lançadas ao Douro.Última cena
No interior do país, no alto da encruzilhada, um anjo dourado observa o leito do rio. Nada pode ver, é uma estátua. O país já não olha, passa rápido ao lado na estrada de alcatrão. Quinze anos depois do estrondo, o que está no fundo do Douro? Alguém? 36 fantasmas? Um ministro? Portugal? Areia.
Texto original na edição do EXPRESSO de 27 fevereiro 2016