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segunda-feira, 10 de abril de 2017

Sebastião da Gama, o poeta da Arrábida

Sebastião da Gama nasceu faz hoje 93 anos (10 de Abril de 1924). Infelizmente partiu demasiado cedo, a 7 de Fevereiro de 1952, tinha apenas 27 anos.
Na vida de Sebastião da Gama aconteceu tudo muito cedo e de forma intensa. Começou a fazer poesia era um jovem estudante. Fez o estágio para professor de português na escola Comercial Veiga Beirão, experiência letiva que retrata no seu “Diário” publicado em 1958, um longo texto de reflexão pedagógica que marcou gerações e que ainda hoje é tido como exemplo a seguir. Defendia uma relação de proximidade entre aluno e professor, dizia que “ensinar é amar”, fazia a pedagogia do amor muito marcada por uma espécie de cartilha de afectos, hoje tão enaltecida pelo exercício político do mais alto magistrado da nação. 
É sempre  oportuno recordar o seu percurso de vida:

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Pelo sonho é que vamos, Sebastião da Gama


Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.

Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia a dia.

Chegamos? Não chegamos?
– Partimos. Vamos. Somos.


Sebastião Artur Cardoso da Gama nasceu em 10 de abril de 1924, em Vila Nogueira de Azeitão, tendo falecido a 7 de fevereiro de 1952, faz hoje 65 anos.


Sebastião da Gama, poeta e pedagogo, foi a voz pioneira na defesa da Serra da Arrábida. Indiscutivelmente apaixonado pela natureza, a serra foi importante fonte de inspiração na sua poesia. São os problemas de saúde que, por indicação médica, o levam ainda criança ao encontro com o ar puro da serra da Arrábida. Rodeado por todas as tonalidades de verde, com o mar ao fundo, que cedo começa a escrever verdadeiros hinos à natureza e a desenvolver uma consciência ambiental que será o embrião da criação, em 1948, da LPN-Liga para a Protecção da Natureza. Ao verificar que aquele “paraíso” começava já ao tempo a sofrer várias ameaças, envia uma carta, em agosto de 1947, para várias personalidades, a pedir a defesa da Serra da Arrábida, a qual constituiu motivação suficiente para criação da primeira associação ambientalista portuguesa.
Morre precocemente, com 27 anos, vitima de tuberculose, deixando uma obra vasta e coerente: «Pelo sonho é que vamos», «Serra- Mãe»,”Loas a Nossa Senhora da Arrábida” e o «O segredo é amar» são obras  que revelam um autor único que, igualmente, privilegia uma relação com o divino, como relata o vídeo seguinte:


quinta-feira, 28 de julho de 2016

Dia Nacional da Conservação da Natureza

O Dia Nacional da Conservação da Natureza foi instituído pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 73/98, de 29 de Junho, que resolveu determinar que o dia 28 de Julho, data da fundação da Liga para a Proteção da Natureza (LPN), fosse instituído como Dia Nacional da Conservação da Natureza. Em boa verdade, esta associação ambientalista é a mais antiga da Península Ibérica e esteve na origem de várias Áreas Protegidas portuguesas, incluindo o Parque Natural da Arrábida, cujo aniversário também se se celebra hoje. 

   Fonte: https://es.wikipedia.org/wiki/Parque_natural_de_la_Arr

"A Liga para a Protecção da Natureza (LPN) surgiu em 1948 por iniciativa do Prof. Carlos Baeta Neves, em resposta ao apelo do poeta Sebastião da Gama, aquando da destruição da Mata do Solitário na Arrábida.
 Em 1947, o poeta envia o seu primeiro alerta e pedido de ajuda ao Eng. Miguel Neves, aquando do início da destruição da mata, para utilização da madeira para um forno de cal. Ao tomar conhecimento da situação, o Prof. Baeta Neves (que então dava aulas no Instituto Superior de Agronomia - ISA), interveio impedindo a destruição da mata. Um ano depois, é fundada a LPN, sendo que a carta de Sebastião da Gama era sempre referida pelo seu fundador, Prof. Baeta Neves, como origem da LPN." Fonte LPN

 

domingo, 10 de abril de 2016

Sebastião da Gama nasceu há 92 anos

Sebastião Artur Cardoso da Gama nasceu em 10 de abril de 1924, em Vila Nogueira de Azeitão, faz hoje 92 anos, tendo falecido a 7 de fevereiro de 1952, em Lisboa, vitimado por uma tuberculose renal, de que sofria desde a adolescência.

Sebastião da Gama foi um notável professor e um grande poeta português, uma voz pioneira na defesa da Serra da Arrábida.
Em 1999, a Câmara Municipal de Setúbal inaugurou um pequeno museu dedicado ao poeta, em Vila Nogueira de Azeitão. Nesse espaço figuram o espólio literário e numerosos objetos pessoais de Sebastião da Gama, relacionados com a vida e obra do poeta.
Por isso vale sempre a pena visitar esta simpática vila para admirar esse espaço museológico dedicado ao admirável poeta Sebastião da Gama, para além de degustar as deliciosas tortas de Azeitão e do bom moscatel.

sábado, 12 de abril de 2014

Sebastião da Gama

Durante a semana que passou cumpriram-se 90 anos sobre a data de nascimento de Sebastião da Gama, poeta e professor. Já aqui o recordei no Dia Mundial da Poesia, mas é oportuno e justo voltar a lembrar este grande poeta português.
Sebastião Artur Cardoso da Gama, de seu nome completo, nasceu em Vila Nogueira de Azeitão no dia 10 de Abril de 1924 e viria a falecer a 7 de Fevereiro de 1952, vitima de tuberculose, contava apenas 27 anos.
Licenciado em Filologia Românica, foi professor de português em Lisboa, na Escola Industrial e Comercial Veiga Beirão, em Setúbal, na Escola Industrial e Comercial (hoje Escola Secundária Sebastião da Gama) e, em Estremoz, também na então Escola Industrial e Comercial.
Guardo sempre em local acessível o seu Diário, para ler e reler, um notável testemunho e reflexão sobre o ensino e a vida, admiravelmente actual, passados mais de 60 anos.


Sebastião da Gama foi um ser humano ímpar, um poeta extraordinário. Um pouco esquecido, é certo, mas sempre o eterno poeta da Arrábida, essa serra maravilhosa! A sua dedicação à serra inspirou, inclusive, a criação da primeira associação ambiental em Portugal, a LPN-Liga para a Protecção da Natureza. 
Creio que é adequado assinalar os noventa anos do seu nascimento, neste mês de Abril do ano de 2014, com o poema Meu País Desgraçado:

Meu país desgraçado!… 

E no entanto há Sol a cada canto
 
e não há Mar tão lindo noutro lado.
 
Nem há Céu mais alegre do que o nosso,
 
nem pássaros, nem águas…
 

Meu país desgraçado!…
 
Porque fatal engano?
 
Que malévolos crimes
 
teus direitos de berço violaram?
 

Meu Povo
 
de cabeça pendida, mãos caídas,
 
de olhos sem fé
 
— busca, dentro de ti, fora de ti, aonde
 
a causa da miséria se te esconde.
 

E em nome dos direitos
 
que te deram a terra, o Sol, o Mar,
 
fere-a sem dó
 
com o lume do teu antigo olhar.
 

Alevanta-te, Povo!
 
Ah!, visses tu, nos olhos das mulheres,
 
a calada censura
 
que te reclama filhos mais robustos!
 

Povo anémico e triste,
 
meu Pedro Sem sem forças, sem haveres!
 
— olha a censura muda das mulheres!
 
Vai-te de novo ao Mar!
 
Reganha tuas barcas, tuas forças
 
e o direito de amar e fecundar
 
as que só por Amor te não desprezam! 

(Sebastião da Gama, publicado em Cabo da Boa Esperança, 1947)

sexta-feira, 21 de março de 2014

21 de Março

Pequeno poema

Quando eu nasci,
ficou tudo como estava,
Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...

P'ra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...

(Sebastião da Gama)


O 80.º dia do ano no calendário gregoriano, mais um em anos bissextos, é um dia especial para a minha pessoa; para além desse facto, perfeitamente irrelevante para 99, 999999...% da população do planeta, é o Dia Mundial da Floresta (Dia da Árvore), Dia Mundial da Poesia, Dia Internacional contra a Discriminação Racial, e mais dias mundiais do Sono, da Infância, Dia Internacional do Síndrome de Down, Dia Universal do Teatro...Entre esta panóplia de efemérides lembro a necessidade de protegermos a floresta e a propósito recordo a minha serra preferida: a Arrábida e a exuberância da floresta mediterrânea; como isto está tudo relacionado escolhi para assinalar este dia o grande Sebastião da Gama, o poeta da Arrábida.

Noutra vertente, o Dia Internacional Contra a Discriminação Racial foi criado em referência ao massacre de Sharpeville. Em 21 de março de 1960, cerca 20.000 pessoas faziam um protesto em Joanesburgo, na África do Sul, contra a chamada Lei do Passe. Mesmo tratando-se de uma manifestação pacífica, a polícia do Apartheid abriu fogo sobre a multidão desarmada resultando 69 mortos e 186 feridos. Em memória a este massacre a ONU instituiu este dia de luta contra a discriminação racial. Neste contexto, lembro obviamente Mandela, aqui evocado através desta magnifica canção:


Tantos caminhos...